Viola Tropeira
ESTA PROSA BOA É ESCRITA PELO COMPADRE LUIZ VIOLA DO BLOG O VIOLEIRO
Para acompanhar a rota do tropeirismo, O Violeiro visitou Lages, em Santa Catarina.
Toda a região do Rio da Prata, bem como o Sul do Brasil, eram um imenso deserto verde povoado por índios e feras. Nada havia ali que interessasse os conquistadores ibéricos. Os incontáveis rebanhos de gadaria selvagem que atraiu portugueses e castelhanos para a região platina teve origem em poucas cabeças de gado que os espanhóis levaram de São Vicente (Brasil) para Assunção do Paraguai.
O ouro de Minas Gerais foi transportado para o porto do Rio de Janeiro no lombo das mulas argentinas. Somente muito depois surgiram criatórios de mula no Brasil, mas durante dois séculos subiam as tropas de mulas xucras de Santa Fé e Corrientes (Argentina) até Sorocaba (SP). De lá, outros tropeiros as levavam, já domadas, para Minas Gerais. De Santa Fé a Sorocaba criou-se um corredor cultural, com usos e costumes comuns, onde até hoje se usa um linguajar repleto de palavras guaranis, quíchuas e até astecas, fruto da convivência prolongada de tropeiros argentinos e uruguaios com brasileiros.
A alimentação dos tropeiros de mula era basicamente feijão com carne-seca de porco.Os tropeiros de mula preferiam alimentos menos perecíveis porque suas tropeadas duravam vários meses.
extraído de um texto de Nilo Braum.
clique aqui para continuar, ou na figura do tropeiro acima
![]()
|
18/05/2004
OFICINA DE VIOLA
Levi Ramiro, em sua oficina, construindo uma viola a partir de uma porunga
(cabaça). De uma porunga grande, saem duas violas. Na ilustração, Levi segura um
violão que tem a porunga como caixa-acústica e na bancada, uma viola em
construção. Tudo feito por ele.
Texto de Luiz Viola
Escrito
por Luiz Viola às 10h53 [
05/05/2004
LÁ DO MEU SERTÃO...
O Violeiro Zeca Collares em Bauru:
O SHOW "Lá do Meu Sertão", tem a duração aproximada de 1h20h, com muito
humor, onde Zeca Collares mescla a música com histórias da nossa cultura
popular, interagindo com o público de maneira muito dinâmica e
descontraída.
Dirigido para um público de todas as idades o show é bastante
informativo e cultural.
O violeiro Zeca Collares, associado do Mão Caipira, estará se
apresentando no Teatro Municipal de Bauru, no dia 13 de maio, às 20:30h.
No sábado, 15 de maio, das 13h às 18h, Zeca Collares oferecerá uma
Oficina de Viola Caipira, também no Teatro Municipal.
Esta mensagem foi escrita por Ralf Campos, secretário-executivo da ONG
Mão Caipira.
A indicação para acesso ao sítio Mão Caipira está nesta página, no lado
esquerdo.
Escrito
por Luiz Viola às 11h09 [
04/05/2004
Outro causo de caipira paulista
O café está no galho. Dentro do pote não tem mais pó. Jorge cuida com
amor do café que está no galho do cafeeiro, mas na hora de coar um
cafezinho, não tem. Acabou. O jeito é tomar um chá, porque trabalhar na
lavoura o dia inteiro...
O patrão, que abandonou o recipiente de pó-de-café vazio, deixou um
vidro que contém outro pó, de cor verde. “Deve ser chá”, imaginou.
Jorge largou da enxada e do cultivo por um instante O patrão já lhe
dissera que ficasse à vontade e que tomasse o que encontrasse na
cozinha, em sua ausência.
O chá, ficou ruim. Depois de coado, nem com açúcar melhorou. Continuou
amargo.
Quando o patrão retornou, Jorge prontamente quis saber que raio de erva
de gosto ruim era aquela. Servia para remédio?
—Não é remédio, mas garanto que não lhe fez mal algum, garantiu o
patrão.
Jorge continuou a fitar, sem expressão.
—E você coou e pôs açúcar?
—Sim, e nem mesmo assim... Continuou amargo.
—É porque o tal pó verde e amargo dentro do vidro é chimarrão!
Escrito
por Luiz Viola às 08h07 [
03/05/2004
Paulo Freire - Kátia Teixeira
7 de maio, Na FNAC - Campinas (SP), estarei apresentando músicas dos CDs
"Brincadeira de Viola" e "Vai Ouvindo". Viola caipira, viola de cocho e
os causos, em um show solo. A FNAC fica no Shopping Dom Pedro. Entrada
livre - 19h.
Quem deu or recado foi Paulo Freire
13 e 14 de maio, No SESC Vila Mariana, em São Paulo (SP), o incrível
projeto Violeiros e Guitarristas. Estarei dividindo o palco com André
Abujamra, artista que admiro muito. Nem eu sei o que pode acontecer. Vai
ser às 21 h, fiquem de olho também nas outras noites.
Este recado também foi dado por Paulo Freire.
Este segundo cd de Kátya Teixeira é resultado de suas andanças pelo
país.
Ritmo, timbre, poesia, harmonia, vida...
presentes em nossa música e nossas almas de cidadãos do mundo.
O encontro de tantos povos, só possível na "antropofagia cultural
brasileira".
Esta mensagem foi enviada por Kátia Teixeira
Escrito
por Luiz Viola às 19h33 [
24/02/2004
CAFÉ DE TROPEIRO
Como coar sem coador? Eis aí o segredo do café-de-tropeiro.
O café-de-tropeiro tem que ser preparado em fogão-de-lenha, ou fogo-de-chão, ou
de maneira que se possa aquecer a água em fogo de lenha.
O bule há de ser de ágata ou dos grandes, de alumínio. De louça, não serve
(tropeiro não carregava louça, vidro, cerâmica, que pudesse se quebrar na
viagem).
Coloca-se no fundo do bule a quantidade de pó-de-café necessária para a
quantidade de bebida que se quer. Pode-se adicionar o açúcar.
Acrescenta-se, dentro do bule, a quantidade de água fervendo para a quantidade
do pó já colocado.
Espera-se tempo (pouco) para o líquido ficar “mais forte”.
Em seguida, introduz-se de uma vez um pedaço de lenha em brasa viva dentro do
bule (comprida o bastante para poder segurá-lo na outra ponta), tirando em
seguida, imediatamente, o tal pau de lenha de dentro do bule. Fumaça e vapor vão
subir, enquanto o pó-de-café que flutuava vai descer para o fundo do recipiente.
Agora, pode-se servir, enchendo as canecas cuidadosamente (para que o pó que se
depositou no fundo do bule não se misture mais à bebida).
Simples? Claro, o tropeiro não pode ser complicado.
Aceita um cafezinho?
Acompanhamento: requeijão, broinhas de fubá.
Para seguir a tradição: adoce com rapadura moída.
Escrito
por Luiz Viola às 08h52 [
22/02/2004
CAFÉ DE TROPEIRO
O leitor certamente já ouviu falar de ou experimentou comer feijão-de-tropeiro,
arroz-de-carreteiro (carreta é o mesmo que carro-de-boi), base da alimentação
caipira, principalmente da refeição daquele que conduzia tropas de muares e gado
por nossos caminhos antigos.
E o café-de-tropeiro? Já experimentou? O tropeiro, em suas longas viagens, não
tinha conforto e devia se arranjar como pudesse para suas refeições. Na refeição
matinal, o café, a rapadura, lingüiça, o leite extraído da vaca da própria
comitiva. E, como preparar o café? Numa viagem, a tralha era pouca, por isso o
jeito inventivo do tropeiro.
Primeiramente, o café. Se em grãos crus, haveria de torrar ali, na fogueira de
chão. Para depois moer da maneira que pudesse, com o material que tivesse na
parca cozinha (a cozinha da tropa ficava sobre uma carreta, que invariavelmente
seguia à frente. O carro-cozinha que viajava na rabeira da tropa só é visto em
filmes de bangue-bangue americano).
Como coar sem coador? Eis aí o segredo café-de-tropeiro.
Escrito
por Luiz Viola às 10h49 [
21/02/2004
UM CERTO CAPITÃO RODRIGO
Bom dia, compadres amigos!
Hoje quero deixar a resposta do teste de caipirice literária do BLOG O Violeiro
do dia 19.02.2004. Na trilogia O Tempo e O Vento de Érico Veríssimo, em O
Continente I, Capitão Rodrigo Cambará assim se apresenta. Entra
espalhafatosamente da venda (bar, botequim), e, brincalhão, diz a famosa frase
provocadora. A alternativa correta é a 3.
E o que quer dizer "dou de prancha"? É bater com a face do facão que não corta,
bater de chapa, o lado largo do facão; dar uma pranchada. É isso que ele quer
fazer com os baixinhos. E nos grandalhões ele "dá de talho", o lado do fio, para
cortar mesmo.
Abraços literários,
Luiz Viola
Bauru SP
O sítio VIOLA TROPEIRA já está com link no BLOG O Violeiro.
http://violasertaneja.blog.uol.com.br<-------- blog de viola e violeiros,
cultura-raiz,literarura, links.
www.ovioleiro.cjb.net
<-------- viola e violeiros, cultura-raiz,literarura,
links.
www.maocaipira.cjb.net <--------- artesanato bem brasileiro, feito a mão, um
a um.
Escrito
por Luiz Viola às 09h57 [
19/02/2004
CULTURA CAIPIRA
O gaúcho sabe ser alegre, festeiro, receber festivamente os amigos. Mas também,
é bravo e valente. Acontece muitas vezes de partir para a “baixaria” se
provocado. A frase a seguir foi dita por um personagem famoso da literatura
brasileira. O Violeiro quer saber quem é o personagem que foi chegando e
apresentou-se da seguinte maneira:
Apeou na frente da venda do Nicolau, amarrou o alazão no tronco dum cinamomo,
entrou arrastando as esporas, batendo a coxa direita com o rebenque, e foi logo
gritando, assim com ar de velho conhecido:
“—Buenas e me espalho! Nos pequenos dou de prancha e nos grandes dou de talho!”
Indicação do Violeiro: o personagem é um desses:
1-Ronaldinho Gaúcho
2-Getúlio Vargas
3-Capitão Rodrigo Cambará
4-Gaúcho da Fronteira
5-Renato Borghetti
Comenta, escreve sua resposta. No próximo BLOG O Violeiro mostrará a alternativa
correta. Obrigado pela participação.
Escrito
por Luiz Viola às 09h33 [
18/02/2004
Quem é que escreve este BLOG?
Afinal, quem é Luiz Viola?
LUIZ ANTONIO DE MELO ALBUQUERQUE (LUIZ VIOLA) é paulistano, nascido em 1951,
onde fez seus estudos.
É formado em som e sonoplastia, acústica arquitetônica pela Fundação Padre
Anchieta, Rádio e Televisão Educativa (TV Cultura de São Paulo).
Funcionário do Banco do Brasil há 31 anos, atualmente em Bauru (SP), na Gerência
Regional.
desenhista (desenho artístico),
pintor,
escritor,
violeiro,
Luiz Viola é pesquisador e defensor da cultura, que prefere denominar
“cultura-caipira”, ou “cultura-raiz”. É o autor e mantenedor deste BLOG.
Também é autor e mantenedor do site (que prefere chamar de “sítio”) na Internet
sobre viola-caipira, cultura-raiz:
www.ovioleiro.cjb.net
Casado com a professora Maria Elisa (Teacher Elisa), é pai de
Clarissa
http://clarissamello.zip.net
Escrito
por Luiz Viola às 10h31 [
17/02/2004
Mais tropeirismo
O compadre violeiro Ricardo Anastácio escreveu assim para Luiz Viola:
Meu mais novo compadre, visite meu sítio (site)
www.violatropeira.com.br .
Colocarei seu blog O Violeiro no meu sítio.
Um abração do Violeiro Ricardo .
Escrito
por Luiz Viola às 09h28 [
16/02/2004
Mais tropeirismo
LAGES (SC) é a cidade mais gaúcha de Santa Catarina. Hoje não mais se luta em
revoluções, tampouco necessita-se abrir caminhos para que passem tropas de
mulas, porém o lageano mantém-se firme em cultuar suas puras tradições através
da arte.
Os centros de tradições conservam viva a cultura dos antepassados através de
grupos de danças folclóricas, que interpretam bailados e sapateados
características do gaúcho.
Pau de fita: "Dança Universal" ou "Dança das Fitas, que parece surgir de todos
os lados e em todos os povos;
Chula: é executada somente por homens de origem brasileira. E outras;
Existem mais de vinte danças no Manual de Danças Gaúchas.
A tradição está cultuada com amor e garra e se inspira na figura de Anita
Garibaldi, marca da nossa História.
Talvez os amigos estranhem porque Lages tem tradições gaúchas: é que fazemos
fronteira com o Rio Grande.
Sua amiga lageana Rose
O Violeiro informa que Rose é guia de turismo e divulga a rota tropeirismo em
Santa Catarina, os Caminhos de Viamão, as lages de pedra.
Escrito
por Luiz Viola às 11h01 [
15/02/2004
São Gonçalo do Amarante
Esqueci-me de informar aos leitores de que a imagem veiculada hoje é a de São
Gonçalo, o santo prototor dos violeiros. E precisava? Desculpem a falha.
Escrito
por Luiz Viola às 12h52 [
SER BOM
Ainda abordando o assunto SER BOM, agora entendendo que SER BOM é agarrar na
venerada (troquei o termo “danada” por “venerada”, que é o verdadeiro sentimento
que o tocador tem para com seu instrumento - veneração – vamos parar com esse
negócio de “danada” porque danação nos remete aos confins do inferno).
Parei com um ponto porque o texto entre parênteses ficou muito comprido.
Mas, vamos prosseguir: vamos continuar o assunto SER BOM , entendendo desta vez
que SER BOM é aquele que destrincha a viola com precisão e arte.
Pois é, o Mestre Braz (professor Braz da Viola) dá um conselho para quem quer
SER BOM no rasqueado, no ponteio, no dedilhar da venerada (além de ter bondade
no coração): “Conselho bom é estudar bastante ao invés de pegar em cobra. Nunca
é demais uma fitinha azul-marinho pendurada na viola, que é a cor de São
Gonçalo, esse sim é de bom trato!” Essas palavras entre as aspas são dele.
E ele aconselha mais: nada de ir em cemitério para chamar o tar.
E eu, desta vez sou eu, aconselho: sai do cemitério e vai a um hospital – não,
não é para internar-se – vai a um hospital, ou cheche, ou prisão (também não é
para ficar detido) e toca – toca o que souber o melhor possível (não precisa de
virtuosidade) para os doentes, os presos, os necessitados, os velhinhos. Eles
gostam, se divertem e tu, violeiro, vai divertir-se também. Mas é sem cobrar
nada, tá?
Experimenta.
Depois, conta sua experiência para nós.
Obrigado.
Escrito
por Luiz Viola às 09h46 [
14/02/2004
SER BOM
Continuando o tema “para quem é apreciador de viola, violeiros, contados de
causos, roda de chimarrão, café de tropeiro, arroz e feijão de tropeiro,
mandioca frita, cachaça (da boa, branquinha, coisa fina, lógico – e pouco,
porque cachaça muita é bobagem) o título acima parece nos levar a um violeiro
virtuoso, que destrincha a viola com precisão e arte.
Mas ser bom no nosso comentário é ter bons sentimentos. Porque, quem mais
carrega o coração repleto de bons sentimentos, amor ao próximo, mais tem espaço
nele (o coração) para abrigar a pura arte.
Ontem, observei um ensaio de coral. O maestro, repleto de paciência para com os
cantores, guiava e ensinava parecendo estar “tomado” porque nada, nada mesmo era
capaz de tirá-lo do enlevo musical. Repetir e repetir a mesma linha melódica,
que ele mesmo sabia de cor. Para que todos aprendessem. Muitos do próprio grupo
julgavam-no um louco.
Mas ele não é louco: ele habita o mundo da música e não se muda para este mundo
que estamos acostumados: seu coração leva a si e ao seu grupo para cantar para
doentes, necessitados, pessoas presas de alguma maneira e que não têm acesso a
esse tipo de arte.
Todos nós, participantes, saímos ganhando com isso porque também não pedimos
nada em troca de nosso cantar.
Vemos muitos violeiros, a maioria, com rendimentos parcos de sua arte, mas que
não desistem da difusão de nossa cultura, vivem disso. Se entregam a isso, fazem
disso sua profissão, razão de viver.
Não se importam se continuam pobres. E, reparem, pensam nos outros mais que em
si mesmos.
São ricos de um tesouro que é eterno e que os ladrões não podem carregar, como
dizia o Maior dos Artistas.
Escrito
por Luiz Viola às 09h37 [
13/02/2004
Comitiva Mão Caipira
COMITIVA MÃO CAIPIRA
O Mão Caipira acabou de elaborar o projeto Comitiva Mão Caipira, e já está
realizando contatos para sua realização. Como escreve Ralf Campos, no seu
objetivo geral: "um roteiro de uma pequena mostra itinerante do 'mundo caipira',
sua engenhosidade e criatividade, sua variedade e riqueza expressiva, focando a
ação cultural na viola – ícone da cultura caipira; dando-se por função não
apenas apresentar formas de expressão dessa cultura, mas também repassar o
“saber fazer” artesanal, considerado um dos maiores patrimônios culturais da
humanidade. Por fim, abrir espaço, em cada região visitada, para apresentação de
pessoas ou grupos locais, no interior dessa mostra, num processo de
revalorização social dessa cultura rural tradicional – a cultura caipira."
Fazem parte da Comitiva o violeiro e catireiro Gedeão da Viola, cuja música "Pau
Brasil", foi, por treze anos, a marca do programa "Viola, minha Viola",
comandado por Inezita Barroso, na TV Cultura; Levi Ramiro, violeiro e artesão de
violas, que prepara o lançamento de seu terceiro CD; Zeca Collares, também
violeiro, de Minas, e artesão de violas e instrumentos de percussão, com um CD
na praça que fala do cerrado; e Julio Santin, violeiro e cardiologista nas horas
vagas, que este ano lançará seu primeiro CD; Rosely Pereira, artesã, artista
plástica, ervanária e culinarista; mais Ralf Campos, sociólogo pós-graduado,
pesquisador, poeta, cronista, que já viajou por muitas linguagens artísticas,
especializado em Desenvolvimento Cultural.
Os municípios interessados em conhecer o projeto podem entrar em contato com
Ralf Campos no Mão Caipira.
O link do Mão Caipira está aí ao lado
Escrito
por Luiz Viola às 08h36 [
webdesign Tai Lara: tai_tai@terra.com.br