Viola Tropeira

Trecho da música "Amanheceu Chovendo",que está no Cd "Viola Tropeira" de Ricardo Anastacio a venda pelo  pelo email violatropeira@terra.com.br ou pelo fone: 15 9701-7068             Chat aos domigos à partir das 15h para tirar dúvidas sobre viola            Aulas online        Métodos de Viola com Cd de Rítmos e Ponteados

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 ESTA PROSA BOA É ESCRITA PELO COMPADRE LUIZ VIOLA DO BLOG  O VIOLEIRO

 

 

TROPEIRISMO

A MAIS FAMOSA LENDA DE TROPEIRISMO

 

É noite. Naquela casa-grande na antiga Santa Fé (RS), Toríbio e Rodrigo são dois piás que se preparam para dormir . Fandango é o velho peão da fazenda, alegre contador de causos que, no quarto dos guris os distrai com uma história de tropeiros até que o sono venha (para as crianças).

Luiz

 

Para acompanhar a rota do tropeirismo, O Violeiro visitou Lages, em Santa Catarina.

Toda a região do Rio da Prata, bem como o Sul do Brasil, eram um imenso deserto verde povoado por índios e feras. Nada havia ali que interessasse os conquistadores ibéricos. Os incontáveis rebanhos de gadaria selvagem que atraiu portugueses e castelhanos para a região platina teve origem em poucas cabeças de gado que os espanhóis levaram de São Vicente (Brasil) para Assunção do Paraguai.

O ouro de Minas Gerais foi transportado para o porto do Rio de Janeiro no lombo das mulas argentinas. Somente muito depois surgiram criatórios de mula no Brasil, mas durante dois séculos subiam as tropas de mulas xucras de Santa Fé e Corrientes (Argentina) até Sorocaba (SP). De lá, outros tropeiros as levavam, já domadas, para Minas Gerais. De Santa Fé a Sorocaba criou-se um corredor cultural, com usos e costumes comuns, onde até hoje se usa um linguajar repleto de palavras guaranis, quíchuas e até astecas, fruto da convivência prolongada de tropeiros argentinos e uruguaios com brasileiros.

A alimentação dos tropeiros de mula era basicamente feijão com carne-seca de porco.Os tropeiros de mula preferiam alimentos menos perecíveis porque suas tropeadas duravam vários meses.

extraído de um texto de Nilo Braum.

clique aqui para continuar, ou na figura do tropeiro acima

 

O Encalhe

Esse "causo" aconteceu quando o Violeiro foi tocar à noite na Fazenda Monte Alegre.

Violeiro que se preza

Não mede hora nem lugar

Pula cerca e tranqueira

Passa riacho e ribanceira

E chega prá tocar e cantar.

Noite.

Garoenta.

Céu encoberto – nebuloso – daqueles de baixar cerração.

A estrada – de terra – areião molhado, que na proximidade do ribeirão Claro era lama vermelha escorreguenta: de fazer tatu deslizar a ribanceira de re’.

Os pneus garrosos tipo cidade-campo faziam a Chevrolet enfrentar o mau-tempo: chegar à fazenda, que, ao pé do fogo, a peonada reunida e as meninas de laçarotes aguardavam o arrasta-pé.

Passar pela pinguela do rio Claro não foi tarefa difícil perante o desafio da subida da ribanceira lisa. A camionete zuniu ladeira acima, mas a poucos metros do topo as rodas giravam e ela ficava no mesmo lugar: foi quando, além de não avançar, recuou. E, encostou o traseira no barranco...

Para cima, não ia, escorregava. Para baixo, o paredão não deixava. Pronto, encalhou !

Abandonar o barco e voltar a pé para a cidade pedir socorro, foi a única alternativa. Chapéu, botas e zipar bem o casaco, seguir o rastro da lanterna fraca (que em pouco tempo esgotou-se). As luzes das casas logo surgiram, não estavam longe.

No bar do seu Plácido:

-Trator, não vai conseguir nenhum: estão todos no Monte Alegre, mas talvez o guincho do Zoinho possa ajudar...

-Está bem, seu Plácido. Quem não tem cão...

Tive, então, o prazer de conhecer o Zoinho:

ex-peão de boiadeiro (visto pelas botas),

baixinho

magro

zarolho

calvo

fala mansa

pitando seu cigarrinho-de-palha,

acocorado no banco alto do bar,

cotovelos displicentes no balcão. Sempre em companhia de seu fiel escudeiro, o loirão Manivela.

Expliquei-lhe o problema, ele ouvindo atentamente.

- Está bem, disse num relance, como se estivesse acordando. Só que temos que ir buscar o guincho.

- Vamos, então (queria aproveitar a oportunidade de alguém que quisesse me ajudar)... Terminou sua pinga, calmamente, procurou o chapéu. Tocou o ombro de seu escudeiro. Saiu dando um tapa de leve no balcão: seu Plácido já sabia. Anotou mais aquela na conta.

Somente percebi o problema da busca ao tal guincho quando, caminhando um tempo na garoa, chegamos à sua "oficina". Um amontado de veículos velhos, acabados pelo tempo e pelo uso, lotavam o terreno escuro. O homenzinho acendeu uma lâmpada que ofuscou a escuridão: foi quando pude ver o tal "guincho".

Pois o tal guincho era (ou foi) uma camionete Chevrolet Marta-Rocha, americana, modelo 1951,

nada nova,

muito rodada,

muitos donos,

em péssimo estado de conservação. No lugar da caçamba havia sido instalado um guincho para autos onde jaziam, suspensos, os restos mortais do que fora um Renault Dauphine.

-Desengata ele aí, ô, Manivela ! ordenou o tal Zoinho, entrando na citada camionete, doravante simplesmente denominada guincho.

Foi quando percebi porque o apelido do rapaz era "Manivela": ele pegou a manivela do guincho e erqueu-a ao ar, como se pretendesse bater.

-Espere, disse eu, que faz ? Não vai girar a manivela ? Prá descer o carro...

-Afaste-se, disse, calmo.

E bateu com força, seguidamente, na trava que, finalmente, soltou-se, fazendo o Dauphine despencar-se com estardalhaço.

-Tem-se que ser delicado com as coisas, comentou, completando.

-Va’mbora, disse eu. E entramos no guincho, fechando a porta. Zoinho, que já estava dentro, ficou a olhar-nos com olhos estrábicos, sem tomar atitude.

-Que espera ?, perguntei.

-Que ambos desçam e empurrem, porque não tem bateria e, por conseguinte não "pega". Tem que empurrar.

Ótima notícia, pensei. Belo socorro. Empurrar por empurrar, porque não empurramos a minha camionete ?

Alguns gemidos e fungados depois, o calhambeque funcionou e fez-se a luz: com o motor girando, as luzes se acenderam.

Corremos alcançar a "carona". Estávamos na estrada !

Os faróis iluminavam na posição "caçar macacos à noite": só faziam luz nas copas; e cada um iluminando uma copa diferente. Suspeitei que deveriam estar regulados para servir ao condutor...

Trafegando à estonteante média de 20 km/h, logo chegamos ao local do crime, quer dizer, do encalhe. Mas ainda tínhamos que atravessar a ponte do rio Claro, que àquela hora, deveria chamar-se rio Escuro. Fechei os olhos e pensei "Seja o que Deus quiser". Quando os abri, a pinguela já havia passado e nós continuávamos vivos.

Subimos a rampa até conseguirmos emparelhar com a encalhada. Paramos.

Manivela e eu descemos, para seguir as instruções do comandante:

-Soltem o cabo, rápido ! Tenho que ficar aqui dentro para:

1-Continuar acelerando o motor

1-1 para iluminar

1-2 para não deixa-lo morrer, senão não pega de novo.

2-Para não soltar o pedal do breque

    1. porque não tem freio-de-mão.

-E, andem logo com isso, temos pouca gasolina! advertiu, temeroso.

Manivela bateu na trava para soltar o cabo, pedindo para que eu o puxasse.

Puxei. Veio um palmo de cabo.

-Vou bater de novo, anunciou.

Mais uma cacetada, + 10 cm.

-Depressa, a gasolina vai acabar...

De cacetada em cacetada, conseguimos metragem suficiente para chegar até à C-10. Ficou tudo escuro e silencioso.

-Morreu o motor, demoraram muito ! ralhou o chefe.

-Acabou a gasolina?, quis saber o loiro.

-Acho que não, temos que tentar fazê-la pegar.

-E se a deixassemos descer ? palpitei.

-Você diz:tentar fazer pegar de ré ?

-Claro.

-Então, aí vai.

Os pneus, mais carecas que bola sete, não giravam, escorregavam na lama, fazendo o carro descer de fasto um bom trecho, até que parou.

-Não pegou.

-Percebemos.

O jeito era fazê-la virar de frente para a ponte, descer de cara, não de ré. Perdemos mais tempo fazendo-a retornar, no empurrão, do que tudo até o momento.

Calculei eu com minha lógica matemática, científica e sherloqueana: se em vez de empurrar essa banheira velha, gastassemos suor e tempo empurrando a minha ...

Ambos molhados e enlameados observamos, no escuro, a traineira enferrujada despinguelar ladeira abaixo. Não ouvimos ruído de ferragem retorcida, portanto, o Dr. Watson aqui suspeitou que o rio Claro ainda não recebera a lataria escorregante em seu leito. Não desta vez.

Um ruido misto de tanque-de-guerra + luzes de disco-voador apavorou os grilos e os sapos: era a fera voltando.

Um boi sem sono, do alto de um barranco, iluminado de relance, não se abalou: mostrou seu olhar impassível, não manifestando comentários.

O monte-de-lata parou onde estivera momentos antes, resfolegando, pipocando, patinando no barro, sujando-nos. Desta feita, fomos rápidos: prendemos o cabo (que já estava desenrolado). Dei a partida na minha camionete. Um ligeiro tranco e: livre !

Ultrapassei-os e parei no topo, para não voltar a encalhar. Esperei a coisa me alcançar e, já acertava os detalhes do favor que me prestara, quando tudo ficou escuro novamente – e silencioso.

-Agora a gasolina acabou mesmo..., murmurou o Zoinho. Sentamos, os três, no estribo daquela carroça para pensar: o que fazer ? Um não enxergava nem o pensamento do outro, tal a escuridão. Passar alguém de carro ali, àquela hora... nem pensar.

-Zoinho, você ainda está aí ? perguntei.

-Tô, ora ! Onde mais ?

-Eu tenho um pedaço de mangueira em meu carro. Você tem uma lata, aí ? Posso tirar um pouco de gasolina da minha para você.

-Tenho um garrafão (de pinga, lógico), vai servir. Destampou-o, levou-o à boca:

-É só para saber se tinha alguma coisa dentro...

-A !

Ouvi um estalar de língua. Percebi que tinha alguma coisa dentro.

-Está vazio agora, esclareceu.

Enfiei a mangueira no bocal do tanque da C-10. Enxergar ali não era difícil: a minha camionete tinha luzes, a outra é que não tinha, mas sua posição era de costas para ela. Em seguida, já tinha um garrafão de gasolina. Missão impossível: abastacer a encreiqueira às cegas.

Depois da cabeça bem abastecida que estava, Zoinho não errou a boca do tanque. Porém, para voltar a funcionar, o guincho precisava ter combustível no carburador. Como fazer chegá-lo lá ?

-Basta tirar o filtro e jogar um golinho direto no carburador, expliquei.

-No escuro ? duvidou o loirão.

-Eu faço. Me ajude-me aqui, ô Alavanca ! Me dê aquela chave-de-fenda. Tá debaixo do banco.

-Tá aqui, ô Zóiotorto. Não, deste lado ! E não me chame de Alavanca. Meu nome é Mã-ni-ve-la. Manivela.

1 grito, 2 impropérios, 3 adjetivos elogiativos dirigidos ao ditoso veículo:

-Vê o que faz, Zóio-de-Coruja: encostou a mão no cabeçote, né ? Tá quente que queima o capeta !, sorriu o moço.

-Como quer que eu enxergue ? Não que eu tenha defeito nos zóios, não, porque graças a Deus que tá lá no céu, eu enxergo muito bem. É que está escuro que até lobisomem tropeça !

-Ô !, foi o comentário de Manivela.

E eu, ali. Só observando. Quero dizer, escutando.

Finalmente, a quantidade de gasolina suficiente para encher um copinho desses de pinga, foi para dentro do carburador. Zoinho tinha muita jurisprudência em entornar copinhos desses. Mesmo no escuro.

Agora, a situação se inverte: eu reboco você !, disse eu, engatando o cabo na rabeira da minha e a outra ponta no pára-choque da dele.

Um ligeiro puxão de 500 m, a 50 km/h foi o suficiente para fazê-la pegar. Zoinho fez a volta na entrada de um calipeiro e sumiu na poeira (poeira ?) de volta à cidade.

O violeiro aqui prosseguiu sem incidentes até à fazenda, onde o pessoal do "até-que-enfim-chegou" me recebeu.

A você, caro leitor, caridosamente me responda. Tenho uma dúvida que me atormenta, desde esse episódio:

-AFINAL, PARA QUE TROUXEMOS O GUINCHO ?

Bauru (SP), 17 de abril de 1999.

Luiz Viola.


18/05/2004

OFICINA DE VIOLA



Levi Ramiro, em sua oficina, construindo uma viola a partir de uma porunga (cabaça). De uma porunga grande, saem duas violas. Na ilustração, Levi segura um violão que tem a porunga como caixa-acústica e na bancada, uma viola em construção. Tudo feito por ele.
Texto de Luiz Viola


 Escrito por Luiz Viola às 10h53 [
 

05/05/2004

LÁ DO MEU SERTÃO...

O Violeiro Zeca Collares em Bauru:


O SHOW "Lá do Meu Sertão", tem a duração aproximada de 1h20h, com muito humor, onde Zeca Collares mescla a música com histórias da nossa cultura popular, interagindo com o público de maneira muito dinâmica e descontraída.
Dirigido para um público de todas as idades o show é bastante informativo e cultural.
O violeiro Zeca Collares, associado do Mão Caipira, estará se apresentando no Teatro Municipal de Bauru, no dia 13 de maio, às 20:30h. No sábado, 15 de maio, das 13h às 18h, Zeca Collares oferecerá uma Oficina de Viola Caipira, também no Teatro Municipal.
Esta mensagem foi escrita por Ralf Campos, secretário-executivo da ONG Mão Caipira.
A indicação para acesso ao sítio Mão Caipira está nesta página, no lado esquerdo.

 Escrito por Luiz Viola às 11h09 [

04/05/2004

Outro causo de caipira paulista

O café está no galho. Dentro do pote não tem mais pó. Jorge cuida com amor do café que está no galho do cafeeiro, mas na hora de coar um cafezinho, não tem. Acabou. O jeito é tomar um chá, porque trabalhar na lavoura o dia inteiro...
O patrão, que abandonou o recipiente de pó-de-café vazio, deixou um vidro que contém outro pó, de cor verde. “Deve ser chá”, imaginou.
Jorge largou da enxada e do cultivo por um instante O patrão já lhe dissera que ficasse à vontade e que tomasse o que encontrasse na cozinha, em sua ausência.
O chá, ficou ruim. Depois de coado, nem com açúcar melhorou. Continuou amargo.
Quando o patrão retornou, Jorge prontamente quis saber que raio de erva de gosto ruim era aquela. Servia para remédio?
—Não é remédio, mas garanto que não lhe fez mal algum, garantiu o patrão.
Jorge continuou a fitar, sem expressão.
—E você coou e pôs açúcar?
—Sim, e nem mesmo assim... Continuou amargo.
—É porque o tal pó verde e amargo dentro do vidro é chimarrão!

 Escrito por Luiz Viola às 08h07 [

03/05/2004

Paulo Freire - Kátia Teixeira

7 de maio, Na FNAC - Campinas (SP), estarei apresentando músicas dos CDs "Brincadeira de Viola" e "Vai Ouvindo". Viola caipira, viola de cocho e os causos, em um show solo. A FNAC fica no Shopping Dom Pedro. Entrada livre - 19h.
Quem deu or recado foi Paulo Freire
13 e 14 de maio, No SESC Vila Mariana, em São Paulo (SP), o incrível projeto Violeiros e Guitarristas. Estarei dividindo o palco com André Abujamra, artista que admiro muito. Nem eu sei o que pode acontecer. Vai ser às 21 h, fiquem de olho também nas outras noites.
Este recado também foi dado por Paulo Freire.


Este segundo cd de Kátya Teixeira é resultado de suas andanças pelo país.
Ritmo, timbre, poesia, harmonia, vida...
presentes em nossa música e nossas almas de cidadãos do mundo.

O encontro de tantos povos, só possível na "antropofagia cultural brasileira".
Esta mensagem foi enviada por Kátia Teixeira

 Escrito por Luiz Viola às 19h33 [



24/02/2004

CAFÉ DE TROPEIRO


Como coar sem coador? Eis aí o segredo do café-de-tropeiro.
O café-de-tropeiro tem que ser preparado em fogão-de-lenha, ou fogo-de-chão, ou de maneira que se possa aquecer a água em fogo de lenha.
O bule há de ser de ágata ou dos grandes, de alumínio. De louça, não serve (tropeiro não carregava louça, vidro, cerâmica, que pudesse se quebrar na viagem).
Coloca-se no fundo do bule a quantidade de pó-de-café necessária para a quantidade de bebida que se quer. Pode-se adicionar o açúcar.
Acrescenta-se, dentro do bule, a quantidade de água fervendo para a quantidade do pó já colocado.
Espera-se tempo (pouco) para o líquido ficar “mais forte”.
Em seguida, introduz-se de uma vez um pedaço de lenha em brasa viva dentro do bule (comprida o bastante para poder segurá-lo na outra ponta), tirando em seguida, imediatamente, o tal pau de lenha de dentro do bule. Fumaça e vapor vão subir, enquanto o pó-de-café que flutuava vai descer para o fundo do recipiente.
Agora, pode-se servir, enchendo as canecas cuidadosamente (para que o pó que se depositou no fundo do bule não se misture mais à bebida).
Simples? Claro, o tropeiro não pode ser complicado.
Aceita um cafezinho?
Acompanhamento: requeijão, broinhas de fubá.
Para seguir a tradição: adoce com rapadura moída.


 Escrito por Luiz Viola às 08h52 [
22/02/2004

CAFÉ DE TROPEIRO


O leitor certamente já ouviu falar de ou experimentou comer feijão-de-tropeiro, arroz-de-carreteiro (carreta é o mesmo que carro-de-boi), base da alimentação caipira, principalmente da refeição daquele que conduzia tropas de muares e gado por nossos caminhos antigos.
E o café-de-tropeiro? Já experimentou? O tropeiro, em suas longas viagens, não tinha conforto e devia se arranjar como pudesse para suas refeições. Na refeição matinal, o café, a rapadura, lingüiça, o leite extraído da vaca da própria comitiva. E, como preparar o café? Numa viagem, a tralha era pouca, por isso o jeito inventivo do tropeiro.
Primeiramente, o café. Se em grãos crus, haveria de torrar ali, na fogueira de chão. Para depois moer da maneira que pudesse, com o material que tivesse na parca cozinha (a cozinha da tropa ficava sobre uma carreta, que invariavelmente seguia à frente. O carro-cozinha que viajava na rabeira da tropa só é visto em filmes de bangue-bangue americano).
Como coar sem coador? Eis aí o segredo café-de-tropeiro.


 Escrito por Luiz Viola às 10h49 [

21/02/2004

UM CERTO CAPITÃO RODRIGO

Bom dia, compadres amigos!
Hoje quero deixar a resposta do teste de caipirice literária do BLOG O Violeiro do dia 19.02.2004. Na trilogia O Tempo e O Vento de Érico Veríssimo, em O Continente I, Capitão Rodrigo Cambará assim se apresenta. Entra espalhafatosamente da venda (bar, botequim), e, brincalhão, diz a famosa frase provocadora. A alternativa correta é a 3.
E o que quer dizer "dou de prancha"? É bater com a face do facão que não corta, bater de chapa, o lado largo do facão; dar uma pranchada. É isso que ele quer fazer com os baixinhos. E nos grandalhões ele "dá de talho", o lado do fio, para cortar mesmo.
Abraços literários,
Luiz Viola
Bauru SP
O sítio VIOLA TROPEIRA já está com link no BLOG O Violeiro.
http://violasertaneja.blog.uol.com.br<-------- blog de viola e violeiros, cultura-raiz,literarura, links.
www.ovioleiro.cjb.net <-------- viola e violeiros, cultura-raiz,literarura, links.
www.maocaipira.cjb.net <--------- artesanato bem brasileiro, feito a mão, um a um.


 Escrito por Luiz Viola às 09h57 [


19/02/2004

CULTURA CAIPIRA

 
O gaúcho sabe ser alegre, festeiro, receber festivamente os amigos. Mas também, é bravo e valente. Acontece muitas vezes de partir para a “baixaria” se provocado. A frase a seguir foi dita por um personagem famoso da literatura brasileira. O Violeiro quer saber quem é o personagem que foi chegando e apresentou-se da seguinte maneira:
Apeou na frente da venda do Nicolau, amarrou o alazão no tronco dum cinamomo, entrou arrastando as esporas, batendo a coxa direita com o rebenque, e foi logo gritando, assim com ar de velho conhecido:
“—Buenas e me espalho! Nos pequenos dou de prancha e nos grandes dou de talho!”
Indicação do Violeiro: o personagem é um desses:
1-Ronaldinho Gaúcho
2-Getúlio Vargas
3-Capitão Rodrigo Cambará
4-Gaúcho da Fronteira
5-Renato Borghetti
Comenta, escreve sua resposta. No próximo BLOG O Violeiro mostrará a alternativa correta. Obrigado pela participação.


 Escrito por Luiz Viola às 09h33 [


18/02/2004

Quem é que escreve este BLOG?

 
Afinal, quem é Luiz Viola?

LUIZ ANTONIO DE MELO ALBUQUERQUE (LUIZ VIOLA) é paulistano, nascido em 1951, onde fez seus estudos.
É formado em som e sonoplastia, acústica arquitetônica pela Fundação Padre Anchieta, Rádio e Televisão Educativa (TV Cultura de São Paulo).
Funcionário do Banco do Brasil há 31 anos, atualmente em Bauru (SP), na Gerência Regional.
desenhista (desenho artístico),
pintor,
escritor,
violeiro,
Luiz Viola é pesquisador e defensor da cultura, que prefere denominar “cultura-caipira”, ou “cultura-raiz”. É o autor e mantenedor deste BLOG.
Também é autor e mantenedor do site (que prefere chamar de “sítio”) na Internet sobre viola-caipira, cultura-raiz:
www.ovioleiro.cjb.net
Casado com a professora Maria Elisa (Teacher Elisa), é pai de
Clarissa
http://clarissamello.zip.net


 Escrito por Luiz Viola às 10h31 [


17/02/2004

Mais tropeirismo


O compadre violeiro Ricardo Anastácio escreveu assim para Luiz Viola:
Meu mais novo compadre, visite meu sítio (site)
www.violatropeira.com.br .

Colocarei seu blog O Violeiro no meu sítio.
Um abração do Violeiro Ricardo .

 Escrito por Luiz Viola às 09h28 [


16/02/2004

Mais tropeirismo


LAGES (SC) é a cidade mais gaúcha de Santa Catarina. Hoje não mais se luta em revoluções, tampouco necessita-se abrir caminhos para que passem tropas de mulas, porém o lageano mantém-se firme em cultuar suas puras tradições através da arte.
Os centros de tradições conservam viva a cultura dos antepassados através de grupos de danças folclóricas, que interpretam bailados e sapateados características do gaúcho.
Pau de fita: "Dança Universal" ou "Dança das Fitas, que parece surgir de todos os lados e em todos os povos;
Chula: é executada somente por homens de origem brasileira. E outras;
Existem mais de vinte danças no Manual de Danças Gaúchas.
A tradição está cultuada com amor e garra e se inspira na figura de Anita Garibaldi, marca da nossa História.
Talvez os amigos estranhem porque Lages tem tradições gaúchas: é que fazemos fronteira com o Rio Grande.
Sua amiga lageana Rose
O Violeiro informa que Rose é guia de turismo e divulga a rota tropeirismo em Santa Catarina, os Caminhos de Viamão, as lages de pedra.

 Escrito por Luiz Viola às 11h01 [


15/02/2004

São Gonçalo do Amarante

Esqueci-me de informar aos leitores de que a imagem veiculada hoje é a de São Gonçalo, o santo prototor dos violeiros. E precisava? Desculpem a falha.



 Escrito por Luiz Viola às 12h52 [



SER BOM


Ainda abordando o assunto SER BOM, agora entendendo que SER BOM é agarrar na venerada (troquei o termo “danada” por “venerada”, que é o verdadeiro sentimento que o tocador tem para com seu instrumento - veneração – vamos parar com esse negócio de “danada” porque danação nos remete aos confins do inferno).
Parei com um ponto porque o texto entre parênteses ficou muito comprido.
Mas, vamos prosseguir: vamos continuar o assunto SER BOM , entendendo desta vez que SER BOM é aquele que destrincha a viola com precisão e arte.
Pois é, o Mestre Braz (professor Braz da Viola) dá um conselho para quem quer SER BOM no rasqueado, no ponteio, no dedilhar da venerada (além de ter bondade no coração): “Conselho bom é estudar bastante ao invés de pegar em cobra. Nunca é demais uma fitinha azul-marinho pendurada na viola, que é a cor de São Gonçalo, esse sim é de bom trato!” Essas palavras entre as aspas são dele.
E ele aconselha mais: nada de ir em cemitério para chamar o tar.
E eu, desta vez sou eu, aconselho: sai do cemitério e vai a um hospital – não, não é para internar-se – vai a um hospital, ou cheche, ou prisão (também não é para ficar detido) e toca – toca o que souber o melhor possível (não precisa de virtuosidade) para os doentes, os presos, os necessitados, os velhinhos. Eles gostam, se divertem e tu, violeiro, vai divertir-se também. Mas é sem cobrar nada, tá?
Experimenta.
Depois, conta sua experiência para nós.
Obrigado.

 Escrito por Luiz Viola às 09h46 [


14/02/2004

SER BOM


 Continuando o tema “para quem é apreciador de viola, violeiros, contados de causos, roda de chimarrão, café de tropeiro, arroz e feijão de tropeiro, mandioca frita, cachaça (da boa, branquinha, coisa fina, lógico – e pouco, porque cachaça muita é bobagem) o título acima parece nos levar a um violeiro virtuoso, que destrincha a viola com precisão e arte.
Mas ser bom no nosso comentário é ter bons sentimentos. Porque, quem mais carrega o coração repleto de bons sentimentos, amor ao próximo, mais tem espaço nele (o coração) para abrigar a pura arte.
Ontem, observei um ensaio de coral. O maestro, repleto de paciência para com os cantores, guiava e ensinava parecendo estar “tomado” porque nada, nada mesmo era capaz de tirá-lo do enlevo musical. Repetir e repetir a mesma linha melódica, que ele mesmo sabia de cor. Para que todos aprendessem. Muitos do próprio grupo julgavam-no um louco.
Mas ele não é louco: ele habita o mundo da música e não se muda para este mundo que estamos acostumados: seu coração leva a si e ao seu grupo para cantar para doentes, necessitados, pessoas presas de alguma maneira e que não têm acesso a esse tipo de arte.
Todos nós, participantes, saímos ganhando com isso porque também não pedimos nada em troca de nosso cantar.
Vemos muitos violeiros, a maioria, com rendimentos parcos de sua arte, mas que não desistem da difusão de nossa cultura, vivem disso. Se entregam a isso, fazem disso sua profissão, razão de viver.
Não se importam se continuam pobres. E, reparem, pensam nos outros mais que em si mesmos.
São ricos de um tesouro que é eterno e que os ladrões não podem carregar, como dizia o Maior dos Artistas.


 Escrito por Luiz Viola às 09h37 [


13/02/2004

Comitiva Mão Caipira

COMITIVA MÃO CAIPIRA
 
O Mão Caipira acabou de elaborar o projeto Comitiva Mão Caipira, e já está realizando contatos para sua realização. Como escreve Ralf Campos, no seu objetivo geral: "um roteiro de uma pequena mostra itinerante do 'mundo caipira', sua engenhosidade e criatividade, sua variedade e riqueza expressiva, focando a ação cultural na viola – ícone da cultura caipira; dando-se por função não apenas apresentar formas de expressão dessa cultura, mas também repassar o “saber fazer” artesanal, considerado um dos maiores patrimônios culturais da humanidade. Por fim, abrir espaço, em cada região visitada, para apresentação de pessoas ou grupos locais, no interior dessa mostra, num processo de revalorização social dessa cultura rural tradicional – a cultura caipira."
Fazem parte da Comitiva o violeiro e catireiro Gedeão da Viola, cuja música "Pau Brasil", foi, por treze anos, a marca do programa "Viola, minha Viola", comandado por Inezita Barroso, na TV Cultura; Levi Ramiro, violeiro e artesão de violas, que prepara o lançamento de seu terceiro CD; Zeca Collares, também violeiro, de Minas, e artesão de violas e instrumentos de percussão, com um CD na praça que fala do cerrado; e Julio Santin, violeiro e cardiologista nas horas vagas, que este ano lançará seu primeiro CD; Rosely Pereira, artesã, artista plástica, ervanária e culinarista; mais Ralf Campos, sociólogo pós-graduado, pesquisador, poeta, cronista, que já viajou por muitas linguagens artísticas, especializado em Desenvolvimento Cultural.
Os municípios interessados em conhecer o projeto podem entrar em contato com Ralf Campos no Mão Caipira.
O link do Mão Caipira está aí ao lado


 Escrito por Luiz Viola às 08h36 [

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