Viola Tropeira
Festas e Tradições Paulistas
Danças
Fandango de Tamancos
Versão masculina do
fandango, sem os bailados, entremeando os fortes sapateados e palmeados com os
queromanas, as modas que relatam aspectos da vida rural, com possibilidades para
improvisos. O acompanhamento se dá com pé de bode (sanfona de oito baixos) e/ou
violas.
Ocorrência: Capão Bonito, Ribeirão Grande.
Fandango de Chilenas
Dançando com botas de meio cano, as botas dos tropeiros paulistas, nas quais são atadas as chinelas, espécie de grandes esporas com várias rosetas que tinem durante o sapateado e o entre-choque de botas. O acompanhamento é feito com violas. De resto valem as informações referentes ao fandango de tamancos.
Ocorrência: Capela do Alto, Sorocaba, Tatuí.
Dança de São Gonçalo
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É dança de cunho especialmente religioso, quase sempre em pagamento de promessa, expressando de forma especial a devoção a São Gonçalo. Há em São Paulo duas formas distintas de dança devocional: o São Gonçalo do litoral e o do interior. O do litoral acontece sempre ao som de violas, rabecas, cordas em geral e caixa, todo valsado e solene, sempre executada por pares. É mais compacto, não durando mais de 15 minutos, acontecendo sempre em cumprimento de promessa, no início dos bailes de sítio e fandangos.
O São Gonçalo do interior, também dançado em cumprimento de promessa ao som de duas violas, é marcado pela alternância de vênias ao altar, palmeados e sapateados, dançadores organizados em duas filas, durando a função toda uma noite. São muitas as companhias São Gonçaleiras, organizadas, que não raro, chegam a se revezar nas funções.
Ocorrência: Atibaia, Bom Jesus dos Perdões, Capão Bonito, Capela do Alto, Jarinu, Itapeva, Joanópolis, Lagoinha, Mairiporã, Mogi das Cruzes, Natividade da Serra, Nazaré Paulista, Piracaia, Redenção da Serra, Santo Antônio do Pinhal, Ribeirão Grande, São Luís do Paraitinga, São José dos Campos, Santa Izabel, Tatuí.
Catira

Catira e cateretê
são denominações de nossas danças de sapateado, derivadas do antigo fandango
português. Ponteiam todo o Estado, incluindo-se a grande São Paulo.
Com os Encontros de Catira no Revelando São Paulo buscamos estimular a
participação das crianças e grupos de jovens.
Ocorrência: Álvares Florence, Arealva, Caconde, Cardoso, Cidade de São Paulo, Barretos, Bauru, Dracena, Dois Córregos, Gastão Vidigal, Guapiaçu, Guarulhos, Holambra, Ibirá, Joboticabal, Mauá, Monte Aprazível, Nhandeara, Novo Horizonte, Osasco, Palestina, Palmital, Platina, Paraguaçu-Paulista, Paranapuã, Paulo de Faria, Piracicaba, Poloni, Sabino, Santa Fé do Sul, São José dos Campos, Sorocaba, Tabatinga, Tanabi, Tapira, Taubaté, Urupês, Votuporanga.
Ciranda
Dança
litorânea com marcas, figurados e passadinhos, em pares, acompanhada sempre por
violas. Pode ser executada de forma autônoma ou integrando o conjunto de
bailados do Chiba/ Fandango.
Ocorrência: Caraguatatuba, Ilhabela, São Sebastião e Ubatuba.
Jongo
Jongo é dança de origem banto, do mesmo tronco do batuque, ambos, ancestrais do samba e do pagode, que resiste em alguns pontos do Vale do Paraíba. Em Taubaté, São Luís do Piratinga, Pindamonhangaba e Cunha, encontram-se os últimos redutos de jongueiros do Vale Paulista e que se encontram, no momento, em fase de revivescência. Estruturado em roda, em torno de uma fogueira que ajuda a manter a afinação dos tambores, acontecem hoje em praças públicas, da mesma forma que, outrora, aconteciam nos terreiros. Com ela os participantes homenageiam São Benedito e os nossos ante- passados negros.
Ocorrência: Cunha, Lagoinha, Pindamonhangaba, São Luis do Paraitinga, Taubaté.
Samba de Bumbo
São duas variantes do samba tradicional em São Paulo, considerados como os ancestrais do samba cosmopolita. Guardam traços que os aproximam do jongo e do batuque, seus parentes próximos e por muitos considerados como seus antecessores. O de Bumbo, tem como foco de aglutinação a Festa do Bom Jesus, em Pirapora. O Lenço, a devoção familiar do grupo a São Benedito. Letras e melodias singelas e funcionais, algumas tradicionais, outras estruturadas de acordo com as circunstâncias.
Ocorrência: Campinas, Pirapora, Santana do Parnaíba.
Samba de Lenço
São duas variantes do samba tradicional em São Paulo, considerados como os ancestrais do samba cosmopolita. Guardam traços que os aproximam do jongo e do batuque, seus parentes próximos e por muitos considerados como seus antecessores. O de Bumbo, tem como foco de aglutinação a Festa do Bom Jesus, em Pirapora. O Lenço, a devoção familiar do grupo a São Benedito. Letras e melodias singelas e funcionais, algumas tradicionais, outras estruturadas de acordo com as circunstâncias.
Ocorrência: Mauá.
Dança de Pares
São variadas as danças de pares, enlaçados ou simplesmente de mãos dadas, em uso em todo o Interior Sul e Vale do Ribeira. Muitas delas guardam ainda nítidos traços de sua origem nobre: - provenientes da corte européia, embalaram os salões da corte brasileira e continuam a animar os nossos bailes e festas populares. É assim com os tchotes (carreirinha, marcado, simples, inglês), com a mazurca (simples e de quatro), com as vaneirinhas, o caranguejo, a palminha e tantas outras.
Ocorrência: Apiaí, Capão Bonito, Itapeva, Itararé, Ribeirão Grande
Dança de Santa Cruz
A devoção à Santa Cruz (Cruzeiro) tão estimulada, ao que parece, pelos jesuítas, fixou-se de forma significativa na Grande São Paulo, Vale do Paraíba e Comunidades da Mantiqueira. São muito numerosas as capelinhas de beira de estrada e sítios que lhe são votadas e em que acontecem as rezas e significativas festas. A devoção se expressa com a Dança de Santa Cruz - na realidade, uma seqüência de danças com que se saúdam o Cruzeiro Principal e as Cruzes enfeitadas de flores colocadas à frente das casas.
Ocorrência: Carapicuíba, Itaquaquecetuba, Embu.
Chiba
versão do fandango no Litoral Norte, compreendendo as modas próprias para os bate pés, palmeados e os grandes figurados, com acompanhamento de violas. Participam pares, sendo que as mulheres só executam os bailados, não os sapateados.
Ocorrência: Caraguatatuba, Ilhabela, São Sebastião e Ubatuba.
Festas e Festivais
Procissões das Águas

Afora os encontros dos Irmãos do Divino nas águas do Médio Tietê (região em que o rio volta de novo à vida), observamos outras devoções a se expressarem nas águas, estruturadas em grandes cortejos fluviais, lacustres e marítimos de embarcações variadas (barcos, bateras, ubás, botes, chatas, lanchas, balsas, bóias). Busca se com eles homenagear Bom Jesus, Nossa Senhora (dos Navegantes, do Livramento, do Rocio, do Patrocínio, Aparecida) e São Pedro.
Ocorrência: Cananéia, Barra Bonita, Botucatu, Diadema, Guarujá, Iguape, Ilha Bela, Iporanga, Leme, Nazaré Paulista, Pindamonhangaba, Presidente Epitácio, São Bernardo do Campo/Riacho Grande, Salto Grande, Santos, São Vicente, Teodoro Sampaio, Tremembé, Ubatuba.
Festas do Divino

A devoção ao Divino Espírito Santo constitui-se em um dos fortes núcleos das devoções populares em São Paulo. Herança do colonizador português se exterioriza de diversas formas, resultando sempre em grandes festas, sendo estas das mais cheias de pompa e espetacularidade desde os tempos do Brasil Colônia. Da celebração festiva já faziam parte os imperadores, mordomos, bandeireiros, império e levantamento do Mastro do Divino.
Festa do Divino
Acreditamos, que as Festas do Divino sejam das mais difusas por todo o Estado,
concentradas no tempo Pentecostal prescrito pela Igreja e fora dele, quase
sempre cheias de pompa e espetacularidade. São muitos os municípios que as
realizam com imponência e fartura de comezainas. Assumem peculiaridades
regionais, ressaltando-se das que são organizadas no Médio Tietê os famosos
encontros fluviais das Irmandades do Divino em grandes batelões. Nas do Litoral
e Vale do Paraíba multiplicam-se os cortejos de muitos devotos, cada qual com
sua bandeira votiva. Ainda nesta região são comuns os cortejos a cavalo (as
famosas cavalarias), e a farra do João Paulino e a Maria Angu (bonecos
gigantes). Nelas não podem faltar o levantamento do Mastro Votivo, o Império do
Divino ricamente ornamentado, e as comidas, símbolo da maior graça do Divino - a
fartura.
Ocorrência: Angatuba, Anhembi, Araçoiaba da Serra, Arandu, Biritiba-Mirim, Buri, Cananéia, Capão Bonito, Caraguatatuba, Conchas, Cotia, Cunha, Divinolândia, Iguape, Itu, Jacupiranga, Laranjal Paulista, Lagoinha, Mogi das Cruzes, Nazaré Paulista, Nuporanga, Paraibuna, Pereiras, Piedade, Piracaia, Piracicaba, Porongaba, Porto Feliz, Ragoinha, Santa Branca, Salesópolis, São Luís do Paraitinga, Silveiras, Suzano, Tietê, Ubatuba, Ubirajara.
Folias do Divino
São pequenos grupos de até 5 pessoas, os Foliões do Divino, que, com suas
jornadas, meses participam da preparação das Festas do Divino, visitando as
casas das zonas rural e urbana, cantando os feitos e os poderes do Divino
Espírito Santo, recolhendo donativos, sempre abundantes, para sua celebração.
Percorrendo assim as comunidades de canto a canto e anunciando a festa, avivam a
fé no Divino.
Ocorrência: Anhembi, Caconde, Cananéia, Cunha, Iguape, Itanhaém, Itu, Itapeva, Lagoinha, Laranjal Paulista, Mogi das Cruzes, Natividade da Serra, Paraibuna, Piracicaba, Redenção da Serra, Salesópolis, São Luís do Paraitinga, São José dos Campos, Tietê, Ubatuba.
Encontro de Batelões

No Médio Tietê, no principal dia da Festa do Divino, acontecem os encontros fluviais das Irmandades do Divino em grandes batelões - os famosos Encontros de Batelões. Os batelões são grandes barcos capazes de transportar, em alguns casos, até 40 pessoas, impulsionados por varejões ou por remos. Até pouco tempo levam os Irmãos do Divino neles seguiam de pouso em pouso (os sítios na zona rural que acolhem a bandeira/ folia, dando-lhes pernoite). Hoje ainda são muitos os pousos (os donos das casas recebendo os amigos e devotos do Divino sempre com mesas fartas), mas os acessos, nem sempre, são feitos por barcos. No grande dia da festa, os barcos do rio abaixo se encontram com os do rio acima, em meio a revoadas de pombos e tiroteios preparados pelos fogueteiros artesanais.
Ocorrência: Anhembi, Laranjal Paulista, Piracicaba, Porto Feliz, Tietê.
Cavalarias
Cavalarias (a denominação mais usual) e cavalgadas como sinônimos de quantidades de cavalos, reunião de pessoas a cavalo, reunião ou marcha de cavaleiros com finalidade de lazer ou mesmo religiosa, são um traço comum em todo o Estado, com área de maior concentração na Grande São Paulo e no Cone Leste, mostrando o grande o gosto, o prazer de significativa parcela dos cidadãos de todas as classes sociais no trato com os cavalos. Sua expressão mais significativa se dá nas inúmeras romarias a cavalo e nas cavalarias de São Benedito. Com orgulho, cavaleiros e amazonas de todas as faixas etárias e classes sociais participam dos mais variados eventos populares que acontecem à parte do universo chamado country.
Ocorrência: Atibaia, Bom Jesus dos Perdões, Caconde, Cajuru, Cidade de São Paulo, Diadema, Espírito Santo do Turvo, Guararema, Guaratinguetá, Jaboticabal, Jaguariúna, Mairiporã, Mogi das Cruzes, Mogi-Guaçu, Mogi-Mirim, Nazaré Paulista, Osasco, Pilar do Sul, Pindamonhangaba, Piquete, Santa Isabel, Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano, Suzano, São José dos Campos, Silveiras, Vargem Grande Paulista.
Encontro de Folia de Reis

É tão expressiva a presença das Folias de Reis ao Norte e Noroeste paulista que muitos dos municípios da região realizam grandes Encontros de Folias de Reis que chegam a mobilizar acima de 50 grupos em cada um, afluxo de devotos e fartura de comezainas. No calendário dos eventos buscam os organizadores nos muitos municípios não coincidir datas, o que em muitos momentos torna-se inevitável, estendendo-se os mesmos até o mês de Maio, com interrupções pelo período quaresmal, e até mesmo pelo 2º semestre.
Ocorrência: Altinópolis, Alto Alegre, Américo de Campos, Araraquara, Araras, Barretos, Barrinha, Batatais, Bebedouro, Bento Quirino, Borá, Brodósqui, Caconde, Cajuru, Campinas, Campos Novos Paulista, Cândido Mota, Cássia dos Coqueiros, Catiguá, Cedral, Cidade de São Paulo, Cosmorama, Coutinhos, Cruzeiro, Cunha, Dracena, Estrela D'Oeste, Fernandópolis, Flora Rica, Florínea, Franca, Gastão Vidigal, Guardinha, Guarulhos, Getulina, Ibirá, Ilha Solteira, Indiaporã, Ipuã, Itapiratiba, Itirapuã, Ituverava, Jaborandi, Jaboticabal, Jales, José Bonifácio, Juquitiba (Festa de Reis), Lins, Lourdes, Lupércio, Meridiano, Miracatu (Reis), Mirassol, Mococa, Mogi das Cruzes, Monções, Monte Aprazível, Nhandeara, Nova Aliança, Nova Granada, Nova Lusitânia, Pacaembu, Palmital, Parapuã, Penápolis, Peruíbe, Piquete, Piratininga, Pitangueiras, Pontes Gestal, Potirendaba, Presidente Prudente, Registro, Ribeirão Preto, Sales, Sales Oliveira, Santa Rosa do Viterbo, Santo André, Santo Antônio da Alegria, Santópolis do Aguapeí, São Bernardo do Campo, Sào Caetano do Sul, São Francisco, São José do Rio Preto, São Luiz do Paraitinga, São Pedro do Turvo, Serra Azul, Serrana, Silveiras, Taciba, Tambaú, Taubaté, Três Fronteiras, Tupã, Urupês, Viradouro, Votupuranga.
Folguedos
Cavalhadas
Há hoje em São Paulo
duas modalidades de cavalhadas. Aquelas que reelaboram os relatos das lutas de
Carlos Magno e os Pares de França contra os Mouros (lutas de Mouros e Cristãos)
estruturando-se simbolicamente a rivalidade em dois campos que se opõem, nas
investidas que cada grupo faz ao campo adversário e na oposição das cores: -
azul para os Cristãos e vermelho a dos Mouros. O conflito é acirrado com mortes,
raptos, prisões, embaixadas e resgates.
Os cavaleiros (12 representando Mouros e 12 representando Cristãos) sempre muito
hábeis nas manobras com seus animais, esforçam-se em campo para dar conta do
entrecho dramático através de carreiras e evoluções, em duplas ou grupais, de
manejos de espadas, lanças e tiros de festim, e com a participação de
coadjuvantes mascarados, sempre em números variáveis. A luta termina com a
vitória dos Cristãos e a conversão dos Mouros.
A outra modalidade de Cavalhada, registrada no Brasil já no século XVI, sem
entrechos dramáticos, estrutura-se em uma série variável de jogos montados:- das
argolinhas, das canas (lanças), as alcancias. São muitas as notícias destes
jogos eqüestres dentro da cidade de São Paulo no século XIX, o que sugere que os
paulistas já possuíam um gosto especial pelo divertimento.
Ocorrência: Franca, Guararema e São Luís do Paraitinga (Mouros e Crsitãos), Igaratá e Santa Isabel (de Jogos).
Caiapós
Bugrada, Caiapós ou Caiapô são denominações com que aparecem entre nós, folguedos com temática indianista, calcada, sobretudo, na visão de um "índio idealizado". Atuam durante o ano todo nos diversos ciclos culturais, em especial no carnaval, e em festas dos santos padroeiros e de devoção popular, seguindo em cortejo pelas ruas das cidades, com paradas para dramatizações esquemáticas.
Ocorrência: Ilha Bela, Joanópolis, Mairiporã, Piracaia, São José do Rio Pardo, São Sebastião.
Reiadas
Reiada é o nome que os paulistas no Litoral Sul e em parte do Vale do Ribeira dão aos folguedos do ciclo do Ciclo de Natal. De conteúdo essencialmente religioso e acompanhados sempre por violas e rabecas, secundadas por violões, caixa, ferrinhos e, eventualmente, cavaquinhos, conservam uma feição, grosso modo, ibérica.
Reisado
Os
reisados aparecem durante o ciclo de Natal a partir da Bahia, pelos estados do
Nordeste até o Piauí. Seguem a mesma tradição secular ibérica, indo de casa em
casa, fazendo em cantoria a pedição de abertura de porta e louvação aos donos
das casas. Cantam o nascimento do Menino Jesus numa fusão de temas sacros e
profanos.
Em São Paulo se estruturaram, a partir de migrantes, dois reisados: o Reisado
Sergipano, do Guarujá, e o Reisado Alagoano, de Carapicuíba, com sua sucessão de
cenas com personagens características que se apresentam ao som de músicas com
instrumentação variada, como forte sapateado, cantando o nascimento do Menino
Jesus, numa fusão de temas sacros e profanos.
Pastorinha
Grupo de meninas trajadas à moda de pastoras idealizadas, que vão de casa em casa fazendo a adoração dos presépios, recebidas pela comunidade com doces e bebidas. Acompanhadas por conjunto de sopros, fazem suas loas com cantorias e bailados simples.
Ocorrência: São Luís do Paraitinga e Cidade de São Paulo.
Moçambique
Moçambiques ou maçambiques são folguedos que aparecem durante quase todo ano nos municípios do Vale do Paraíba, nos que circundam a cabeceira do Tietê e Noroeste de São Paulo. São grupos religiosos que homenageiam com suas músicas e suas danças seus santos padroeiros, sobretudo São Benedito e Nossa Senhora do Rosário. Suas atuações caracterizam-se por manobras (evoluções) e manejos de bastões, por vezes complicados. Seu traço distintivo são os paiás, (carreiras de guizos) ou gungas (pequenos chocalhos de lata), atados aos tornozelos dos moçambiqueiros.
Ocorrência: Altinópolis, Aparecida, Atibaia, Biritiba-Mirim, Caraguatatuba, Cotia, Cruzeiro, Cunha, Franca, Guararema, Guaratinguetá, Ilha Bela, Itapira, Jacareí, Lorena, Lourdes, Manduri, Mogi das Cruzes, Mogi-Guaçu, Mogi-Mirim, Morumgaba, Pindamonhangaba, Piracaia, Piraju, Salesópolis, Salto Grande, Santa Isabel, Santa Cruz do Rio Pardo, Santo Antônio da Alegria, Santo Antônio do Pinhal, São José dos Campos, São Luiz Paraitinga, Socorro, Suzano, Taubaté, Ubatuba
Congos
Congos, Congadas são folguedos que comumente aparecem na forma de préstitos
(cortejos), os participantes cantando e dançando, em festas religiosas ou
profanas, homenageando, de forma especial, São Benedito. Muitos destes folguedos
cumprem também um papel auxiliar no catolicismo popular, ajudando tantos e
tantos devotos a cumprir suas promessas. Sua instrumentação varia em cada
região, havendo destaque para a percussão, sempre com muito peso estimulando
muitos momentos de bailados vigorosos e manobras complicadas. Há congos de
sainhas, com grande quantidade de caixas, com chapéus de fitas, com manejos de
bastões e espadas (alguns grupos exibindo exemplares dos Exércitos dos tempos do
Império e início da República).
Às vezes possuem reinado (rei, rainha, vassalagem) envolvendo parte dramática
com embaixadas e lutas. Dentre estes, as mais completas são as congadas do
Litoral Norte (Ilhabela e São Sebastião), por suas estruturas complexas e
presença das marimbas.
Folias de Reis
Folias,
ao lado de Ternos e Companhias, são designativos de ranchos, grupos de pessoas
que se deslocam acompanhando-se de cantos instrumentos. São grupos que por
devoção, por gosto ou função social peregrinam de casa em casa do dia de Natal
até 6 de Janeiro, ponteando quase todas as regiões do Estado. Em cantoria fazem
uso de temas religiosos, da Profecia ao Nascimento de Jesus Menino, à Visita dos
Reis Magos. Cumprem sempre, aproximadamente, os mesmos rituais de chegada e
despedida, visitando os amigos e os devotos, atendendo pedidos, tirando
promessas, (ajudando os devotos a cumprir suas promessas). Bastiões, marungos,
palhaços, são personagens sempre presentes nestes folguedos, com máscaras
confeccionadas nos mais diversos materiais (peles de animais, tecidos, napa,
tela de arame, cabaças, papelão, colagem de papel), com trajes vistosos,
divertem a todos com seus saltos acrobáticos, dançando, declamando romances
tradicionais, jogando versos decorados. Quando m visita a uma casa, uma folia é
motivo de festa para toda a rua. Folguedo mais expressivo e difuso em São Paulo,
não se sabe ao certo quantas folias existem no Estado.
Ocorrência: Altinópolis, Alto Alegre, Américo de Campos, Araraquara, Araras, Barretos, Barrinha, Batatais, Bebedouro, Bento Quirino, Borá, Brodósqui, Caconde, Cajuru, Campinas, Campos Novos Paulista, Cândido Mota, Cássia dos Coqueiros, Catiguá, Cedral, Cidade de São Paulo, Cosmorama, Coutinhos, Cruzeiro, Cunha, Dracena, Estrela D'Oeste, Fernandópolis, Flora Rica, Florínea, Gastão Vidigal, Guararapes, Guardinha, Guarulhos, Getulina, Ibirá, Ilha Solteira, Indiaporã, Itapiratiba, Itirapuã, Jaborandi, Jaboticabal, Jales, José, Bonifácio, Juquitiba (Festa de Reis), Lins, Lourdes, Lupércio, Maracaí, Meridiano, Miracatu (Reis), Mirassol, Mococa, Mogi das Cruzes, Monções, Monte Aprazível, Nhandeara, Nova Aliança, Nova Granada, Pacaembu, Palmital, Parapuã, Penápolis, Peruíbe, Piquete, Piratininga, Pitangueiras, Pontes Gestal, Potirendaba, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, Sales, Sales Oliveira, Santa Rosa do Viterbo, Santo André, Santo Antônio da Alegria, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, São Francisco, São José do Rio Preto, São Luís do Paraitinga, São Predro do Turvo, Serra Azul, Serrana, Silveiras, Taciba, Tambaú, Taubaté, Tupã, Urupês, Viradouro, Votuporanga.
Cortejos
Boisinhos

Os boizinhos aparecem em várias regiões de São Paulo. Algumas de suas expressões se destacam. O Boizinho, de Ubatuba, acompanhado por instrumentos de corda e percussão. As Carreiras de Bois, que animam as ruas de porto Ferreira e o monumental Boitatá de Iguape, com quase 10 metros de comprimento, que arrasta caiçaras e turistas, durante horas, pelas ruas da cidade.
Entradas
As entradas são grandes cortejos com carros de bois, charretes, troles, tico-ticos, carroças, carruagens, cavaleiros e grupos folclóricos com que se celebram aberturas ou o início do dia principal de algumas de nossas festas. A Entrada dos Palmitos (Mogi das Cruzes), lembra hoje a farta distribuição de palmitos na abertura da Festa do Divino quando o mesmo abundava na região; a Procissão dos Carroceiros (São Bernardo do Campo), lembra a forma como os antigos carvoeiros, lenhadores, pequenos e a comunidade em geral celebrava, com suas carroças e carretões, Nossa Senhora da Boa Viagem; com a Entrada do Carros de Lenha (São Roque), carvoeiros e lenhadores remanescentes e os devotos em geral, celebram o dia do padroeiro da cidade; Entrada dos Carros de Bois (Itu); Entrada das Carroças de Lenha/ São João Batista (Laranjal).
Cabeções
Santana do Parnaíba é hoje o último reduto de Cabeções ou Cabeçorras. Pela desproporcionalidade que provocam com os corpos dos que as envergam se assemelham a anões, sendo este o seu traço fundamental. Confeccionadas com a técnica do empapelamento com diversidade de personagens, animam o carnaval da cidade e outros desfiles populares, sempre associadas aos bonecos gigantes provocando estranhamento pelo contraste.
Romarias
Romarias
Um traço que se destaca na
cultura tradicional em São Paulo são as romarias: a pé, de bicicleta, a cavalo,
de charrete, de motos, de carro, em ônibus fretados ou de carreira. Acontecem
durante todo o ano apresentando, ciclicamente, grandes picos que chegam a
demandar ações especiais dos Departamentos de Trânsito.
Quando a pé os romeiros se auto intitulam caminheiros, e seguem sós, em duplas,
ou em grupos. Dentre os que seguem sós alguns podem arrastar cruzes por uma
distância algumas vezes superior a 100 quilômetros. Há caminheiros que se
organizam em grupos que peregrinam regularmente, alguns destes beirando os 50
anos, ou mais, de caminhadas.
São também numerosas as romarias com organizações internas, que chegam a ser
complexas em alguns casos, verdadeiras instituições que congregam grande número
de afiliados e que peregrinam regularmente, destacando-se dentre estas, as
romarias a cavalo, que apresentam maior nível de organização e complexidade,
algumas delas bem longevas e chegando a congregar acima de 1500 cavaleiros.
Estas Romarias são, via de regra, uma convergência de expressões culturais com
variedade de elementos convergentes (alimentos, indumentárias, sincretismo
religioso).
Ocorrência:
Alumínio, Araçariguama, Atibaia, Bom Jesus dos Perdões, Cachoeira Paulista,
Cajuru, Campinas, Caucaia, Cidade de São Paulo, Cotia, Embu, Espírito Santo do
Turvo, Franco da Rocha, Ibiúna, Itapeva, Itapecerica da Serra, Itapetininga,
Itapevi, Itatiba, Itu, Itupeva, Jandira, Jarinu, Jundiaí, Juquitiba, Louveira,
Mairinque, Mairiporã, Mogi das Cruzes, Mogi Mirim, Osasco, Piedade, Pilar do
Sul, Piquete, Piracicaba, Pirapora do Bom Jesus, Poá, Porto Feliz, Redenção da
Serra, Santana do Parnaíba, São Luiz do Paraitinga, São Roque, Suzano, Vargem
Grande Paulista, Valinhos, Vinhedo.
Centros de Peregrinação
São Paulo congrega o
maior número de centros de peregrinação do Brasil. Afora as três
cidades-santuários de grande expressão (Aparecida, Pirapora e Iguape), existem
muitos outros com as mais variadas motivações devocionais, procurados,
rotineiramente ou em datas especiais, por todos os segmentos sociais. Alguns
destes, em que pese a quantidade de pessoas que atraem, chegam a passar quase
despercebidos por sua inclusão na rotina das cidades. Outros, ao contrário,
quebram essa rotina pelo impacto que causam na vida das comunidades.
Ocorrência:
Aparecida - Santuário Nacional de N. Sra. Aparecida
Bom Jesus dos Perdões - Santuário do Bom Jesus
Iguape - Santuário do Bom Jesus
Mairiporã - Santa Cabeça
Pirapora do Bom Jesus - Santuário do Bom Jesus
São Paulo - Convento da Luz (Bairro da Luz), Túmulo de Frei Galvão,
Santuário de N. Senhora da Penha (Penha), Santuário das Almas (Ponte Pequena),
Santuário de São Judas Tadeu (Jabaquara), Igreja dos Enforcados - Devoção ao
Chaguinha (Liberdade)
Tambaú - Túmulo do Pe. Donizetti
Tremembé - Santuário do Bom Jesus
Maracaí - Menino da Tábua
Cemitérios
Cemitério do Araçá - Mãe Felícia
Cemitério da Consolação - Antoninho da Rocha Marmo, Marina Portugal,
Marquesa de Santos, Pe. Vítor
Cemitério de Santo Amaro - Túmulos do Bento do Portão
Cemitério São Paulo - Izildinha
Cemitério da Vila Alpina - Túmulo dos treze mortos não identificados no
incêndio do Edifício Joelma.
Recomenda das Almas
São rituais de penitência em sufrágio das almas do purgatório, executados durante o tempo da quaresma. Às segundas, quartas e sextas do período, depois das 21h., saem os grupos penitentes em silêncio, parando às portas de outros devotos, dos cemitérios, das capelas ou junto às cruzes de beira de estrada. Admoestam os que os ouvem executando benditos (orações cantadas) e jaculatórias, interrompidas pelos pedidos de orações pelas almas e pelos sons soturnos das matracas ou zunidores.
Ocorrência:
Capela do Alto, Cássia dos Coqueiros, Ribeirão Grande, Santo Antônio da Alegria.
Tooro Nagashi e Bon odori
Tooro Nagash, Bom Odori, Moti-Tsuki, Sendai Tanabata são alguns dos muitos festivais e rituais, de cunho religioso ou profanos, que pontuam várias regiões do Estado, congregando várias gerações de nipo-descendentes e envolvendo as comunidades circunstantes. Em muitos casos já apresentam tendências ao sincretismo.
Ocorrência:
Araçatuba, Cidade de São Paulo, Jales, Penápolis, Pereira Barreto, Presidente
Epitácio, Registro.
Outros
Folia do Divino

São pequenos grupos de até 5 pessoas, os Foliões do Divino, que visitam as casas das zonas rural e urbana, cantando os feitos e os poderes do Divino Espírito Santo, recolhendo donativos, sempre abundantes. Percorrendo assim as comunidades de canto a canto e anunciando a festa, avivam a fé no Divino.
Ocorrência: Anhembi, Caconde, Cananéia, Cunha, Iguape, Itanhaém, Itu, Itapeva, Lagoinha, Laranjal Paulista, Mogi das Cruzes, Natividade da Serra, Paraibuna, Piracicaba, Redenção da Serra, Salesópolis, São Luís do Paraitinga, São José dos Campos, Tietê, Ubatuba.
Pesca Artesanal
Artesanal
é a pesca que se realiza única e exclusivamente pelo trabalho manual do pescador
- mesmo em todas as variantes de espera. Nela a participação do homem em todas
as etapas e manipulação dos implementos e do produto é total, ou quase total,
prescindindo-se de tração mecânica no lançamento, recolhimento e levantamento
das redes ou demais implementos. Baseada em conhecimentos transmitidos ao
pescador por seus ancestrais, pelos mais velhos da comunidade, ou que este tenha
adquirido pela interação com os companheiros do ofício, é sempre realizada em
embarcações pequenas (botes e canoas) a remo ou a vela ou mesmo motorizadas, sem
instrumentos de apoio à navegação, contando para a operação tão somente a
experiência e o saber adquiridos - a capacidade de observação dos astros, dos
ventos e das marés... Não se apóia na grande produção ou na estocagem.
Pesca-se nos rios e no mar com caniços, com linhadas, com puçás, com fisgas, com facões, com covos, com redes (de lanço ou de arrasto, as de malhar, para caceio ou espera), cercos fixos, tarrafas, girivás (tarrafinhas), espinhéis, covos, currais (também conhecidos por cercos fixos ou chiqueiros de peixes), linhadas, puçás,...
Ocorrência: Alto e Baixo Tietê, Baixada Santista, Litoral Norte, Litoral Sul, Vale do Piracicaba, Grande ABC, Vale do Paraíba, Vale do Paranapanema, Vale do Ribeira
Figureiros
Figureiros
se auto intitulam os artistas populares do Vale do Paraíba que recriam com barro
(cru) figuras e cenas do seu dia a dia , ou do seu imaginário. Arte resultante
não de aprendizado sistemático ou ensina- mentos especiais, mas de uma tradição,
da curiosidade ou das experiências pessoais do próprio artista.
Ocorrência: Caraguatatuba, Pindamonhangaba, Santa Branca, São Bento do Sapucaí, São José dos Campos, Taubaté, Tremembé
Música
Cururu
Cururu é
o repente, o desafio trovado ao som de violas do Médio Tietê. São numerosos,
afamados e respeitados os cururueiros (os trovadores) da região. Alguns deles
com várias viagens para o exterior. Não há Festa, ou Pouso de Bandeira do Divino
sem o cururu que pode varar a noite num revezamento de várias trovadores. E não
há cidadão que arrede pé diante de uma porfia de canturiões (cantadores).
Ocorrência: Conchas, Laranjal, Piracicaba, Porto Feliz, Tietê.
Marimbas
Muito comuns nas culturas
bântu da África negra, as marimbas transmigraram na bagagem do negro escravizado
tendo sido populares no Brasil. Correspondentes nos círculos eruditos aos
xilofones, são instrumentos percussivos melódicos constituídos de uma série de
lâminas de determinados tipos de madeira, em números variáveis, afixados em
pequenas traves ou arcos, tendo por ressoadores, pequenos coités (cabaças),
cortadas pela metade e afixados por baixo de cada lâmina. Serviam, então, ao
lado de outros instrumentos também chegados nas bagagens dos negros
escravizados, de base rítmica, com variações, para folguedos e danças.
Ao que tudo indica as marimbas desapareceram de todo o território brasileiro,
tendo sobrevivido, somente no litoral Norte de São Paulo. Também ali inspira
hoje cuidados:- sua utilização se circunscreve às congadas, são muito poucos
seus executantes e bem menos os que conseguem confeccioná-las. Tanto em sua
configuração técnica quanto em sua execução, as marimbas caiçaras continuam bem
próximas de seus ancestrais africanos.
Ocorrência: Ilhabela, Caraguatatuba e São Sebastião
Violas
É
bastante fácil encontrar violeiros por todo São Paulo. Violas e rabecas, sempre
associadas, existem em grande número em todo o Litoral Sul e Vale do Ribeira,
com uma peculiaridade: são fabricadas na própria região.
Companheira fiel das horas de folga dos caiçaras, para quem a viola, portadora
de seus sentimentos, fala e chora, costuma receber na região o nome de viola
branca pela cor da madeira de que é feita, a cacheta. É a própria viola caipira.
Quando querem dizer que o baile será mais de acordo com os usos da terra, dizem
que haverá fandango, ou para explicitar mais ainda dizem que haverá baile de
viola. São confeccionadas em 4 tamanhos: Viola inteira (a maior, mais difícil de
ser encontrada), Três quartos (3/4 da viola inteira, fáceis de serem
encontradas), Meia viola (fácil de ser encontrada e a mais procurada) e o
Machete ou Machetão (viola pequena, também chamada de viulinha, mais raras).
Artesanatos
Trançados
A cestaria do Vale do Ribeira
e do Litoral (N e S), com a utilização de cipós encontráveis nos remanescentes
da Mata Atlântica, em especial o timbopeva e o imbé, e a taquara, Com os quais
fazem de um tudo para atender às necessidades das lides diárias na casa e na
pesca (cestos, balaios, apás, covos, Jacás). A finura da trama e a beleza de
muitas peças despertam sempre grande interesse nos visitantes.
Ocorrência
Cajati, Cananéia, Caraguatatuba, Catiguá, Eldorado, Iguape, Ilha Bela, Iporanga,
Itanhaém, Monteiro Lobato, Pariqüera-Açu, Registro, Reiadas, Ribeirão Grande,
Peruíbe, Ubatuba.
Cerâmicas
São conhecidas as louças
produzidas na região dos Campos Gerais (Interior Sul), Vale do Ribeira e Litoral
Sul. Guardam peculiaridades regionais, mas em seu conjunto, ainda que
trabalhadas por mãos diferentes, conservam semelhanças entre si, traços
identitários que as aproximam de suas originais matrizes indígenas. De forma
especial a louça preta cerâmica produzida no núcleo comunitário do Jairê
(Iguape), também conhecida por louça preta. São potes, panelas, torradeiras e
cuscuzeiros, modelados de forma especial que, depois de secos e logo depois
serem queimados, são banhados, ainda quentes, com um cozimento da entre-casca de
nhacatirão, tornando-se pretos e impermeáveis, confundindo-se, de longe com o
ferro.
Ocorrência
Apiaí, Barra do Turvo, Iguape, Itaoca, Itapeva, Itararé, Ribeirão Grande,
Riversul, Ubatuba.
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