
Cornélio Pires O Pioneiro

A turma caipira de Cornélio Pires.Foto
histórica de 1929, vendo-se da esquerda para a direita, em pé: Ferrinho,
empunhando a "puíta", Sebastião Ortiz de Camargo (Sebastiãozinho), Caçula,
Arlindo Santana; sentados: Mariano, Cornélio Pires e Zico Dias.

O Bandeirante da
Música Caipira
Jornalista , escritor, poeta, folclorista e cantador, ele foi o
primeiro a gravar um disco de música caipira. É também obra sua a divulgação
desta música , através de um Teatro Ambulante.
A história do disco caipira, de tão grande sucesso nos dias atuais, começa em
maio de 1929, com a primeira gravação da Turma de Cornélio Pires . Era um 78
rotações de rótulo vermelho, que levava o selo Columbia. De um lado, “Jorginho
do Sertão” e , do outro, “Moda de Pião”, ambas de autoria do próprio Cornélio.
E quem seria Cornélio Pires,considerado o “bandeirante da música caipira”?
Natural da cidade de Tietê (SP), escritor , folclorista, Jornalista, poeta e
cantador , Cornélio nasceu a mais de cem anos atrás , em 1884.Foi com ele que a
música sertaneja passou a ser encarada sob o ponto de vista profissional. A
princípio, por volta de 1914, Cornélio dedicava-se a organizar espetáculos pelo
interior de São Paulo , para divulgar a arte caipira e apresentar artistas
sertanejos: eram as Conferências Cornélio Pires.
Com o passar do tempo, aquelas apresentações tomaram jeito de espetáculos, e foi
a essa altura que Cornélio Pires tomou a iniciativa de gravar um disco. Ao
chegar em São Paulo, porém , viu seu grande sonho cair água abaixo : gravadora
alguma queria arriscar um tipo de música que , acreditavam , não teria
receptividade junto ao público.
Confiante em seus propósitos , Cornélio não desistiu. Ao contrário , armou-se de
toda sua força de vontade , juntou-se a alguns amigos ( as duplas Zico Dias e
Ferrinho, Mandi e Sorocabinha, Mariano e Caçula) e pagou para gravar seu próprio
disco.Lançava, assim , em maio de 1929, a Série Caipira Cornélio Pires. Pode-se
dizer , portanto, que ele foi um dos primeiros “independentes” da música
brasileira.
De cara , “Jorginho do Sertão” e “Moda de Pião” desmentiram as previsões das
gravadoras :em apenas 20 dia , o disco estourava com cinco mil cópias vendidas.
Vitorioso , Cornélio passou a ser assediado por propostas tentadoras das mesmas
companhias que antes o ignoraram. Não aceitou esses convites, decidido a
continuar financiando seus discos. E sucederam-se as gravações : “Entre Alemão e
Italiano”, “Anedotas Norte-americanas”, “Astúcias de Negro Velho”, “Rebatidas de
Caipira”, “Numa Escola Sertaneja”, “Coisas de Caipira”, “Batizado de Sapinho”,
“Desafio Caipira”e “Verdadeiro Samba Paulista”, grandes sucessos na época .
De sucessos em sucesso , criou em 1946, o Teatro Ambulante Cornélio Pires,
composto de dois carros , um com biblioteca e outro com discoteca para percorrer
o interior paulista, onde apresentava-se em praça públicas. Em 1948, recebia o
patrocínio da Companhia Antártica Paulista, que distribuía bonés com sua marca
durante os shows de seu grande astro .
Antes de morrer de um câncer na laringe , em 1958, Cornélio Pires pode se
orgulhar por ter aberto caminho para os programas de música sertaneja nas rádios
do país. Foi também a luz que indicou às gravadoras o novo e bem-sucedido
caminho da música sertaneja. Uma dessas gravadoras ,a RCA Victor, não demorou a
formar a Turma Caipira Victor pra lançamentos exclusivos na área . E , no ano
mesmo de sua morte, Cornélio Pires saboreou mais uma vitória : a apresentação de
um espetáculo caipira no Teatro Municipal de São Paulo, templo sagrado da música
clássica. Era , já naquela época, o triunfo da música caipira , e de Cornélio
Pires


Museu de Tietê. Localizado no
Largo São Benedito, 20, bem no centro da cidade, ao lado da Igreja centenária de
São Benedito. O horário de funcionamento é das 9 às 11 h e das 13 às 17 h, de
segunda a sexta-feira. Além de Cornélio, o museu abriga as obras de outros
filhos importantes, como por exemplo o famoso músico brasileiro Mozart Camargo
Guarnieri, o historiador Benedicto Pires de Almeida, autor da Cronologia
Tieteense, cobrindo o período de 1783 a 1978. O museu possui cerca de 2000 peças
catalogadas, além de abrigar a biblioteca municipal.
DISCOGRAFIA e FILMOGRAFIA DE
CORNÉLIO PIRES
DISCOGRAFIA DE CORNÉLIO PIRES
Série Caipira"Cornélio Pires"
Gravadora Colúmbia
MAIO DE 1929
- ANEDOTAS NORTE AMERICANAS e ENTRE ITALIANO E ALEMÃO - Anedotas -
Cornélio Pires.
- REBATIDAS DE CAIPIRAS e ASTÚCIA DE NEGRO VELHO - Anedotas - Cornélio
Pires.
- SIMPLICIDADE e NUMA ESCOLA SERTANEJA - Anedotas - Cornélio Pires.
- COISAS DE CAIPIRA e BATIZADO DO SAPINHO - Anedotas - Cornélio Pires.
- DESAFIO ENTRE CAIPIRAS e VERDADEIRO SAMBA PAULISTA - Turma Caipira
Cornélio Pires.
- ANEDOTAS CARIOCAS - Cornélio Pires. DANÇAS REGIONAIS PAULISTAS
Cana-Verde-Cururu - Turma Caipira Cornélio Pires.
OUTUBRO DE 1929
- COMO CANTAM ALGUMAS AVES - Imitações - Arlindo Sant¢
Anna, e JORGINHO DO SERTÃO - Moda de Viola - Mariano & Caçula (da Turma Caipira
Cornélio Pires).
- A FALA DOS NOSSOS BICHOS - Imitações - Arlindo Sant'Anna, e MODA DO
PEÃO - Moda de Viola - Cornélio Pires e Turma Caipira Cornélio Pires.
- OS CARIOCAS E OS PORTUGUESES - Anedota - Cornélio Pires, e MECÊ DIZ
QUE VAI CASÁ - Moda de Viola -(de Nitinho Pinto) - C/ Zico Dias e Sorocabinha
(da Turma Caipira Cornélio Pires).
- TRISTE ABANDONADO - Moda de Viola, com Zico Dias e Sorocabinha, e NO
MERCADO DOS CAIPIRAS - Anedota - Cornélio Pires.
- AGITAÇÃO POLÍTICA EM SÃO PAULO e CAVANDO VOTOS - Anedotas - Cornélio
Pires.
SEM DATA
- UM BAILE NA ROÇA e UMA LIÇÃO COMPLICADA -Cornélio Pires & Arruda.
- AS TRÊS LÁGRIMAS (Declamação) - Campos Negreiros, e PUXANDO A BRASA
- Anedota - Cornélio Pires & Arruda.
- A MODA DA REVOLUÇÃO - Moda de Viola - Cornélio Pires e Arlindo Sant'Anna, e VIDA APERTADA - Anedota -Cornélio Pires & Arruda.
- CATERETÊ PAULISTA- Cornélio Pires e Arlindo Sant'Anna, e NITINHO
SOARES - Moda de Viola - Cornélio Pires, Mariano & Caçula (TCCP).
- O BONDE CAMARÃO - Moda de Viola, e SÔ CABOCRO BRASILÊRO - Moda de
Viola - CP e Mariano & Caçula (TCCP).
ABRIL 1930
- NAQUELA TARDE SERENA - Contra-Dança Mineira - CP, com Antônio Godoy
e sua Mulher, e TOADA DE CURURU -Contra-Dança Paulista - CP, com Mariano &
Caçula (TCCP).
- SABIÁ ME FAIZ CHORÁ - Contra-Dança Mineira - CP, com Antônio Godoy e
sua Mulher, e A BRIGA DOS VÉIO - Moda de Viola - CP, com Mariano & Caçula (da
TCCP).
- TRISTE APARTAMENTO - Moda de Viola Mineira, e PORFIANDO - Desafio,
com Antônio Godoy e sua Mulher.
- BATE PALMA - Contra-Dança Mineira, e NAS ASAS DE UM BEJA-FLÔ - Moda
de Viola - CP, com A. Godoy e sua Mulher.
- TOADA DO CATERETÊ e TOADA DE SAMBA - CP, com Mariano & Caçula (da
TCCP).
- SITUAÇÃO ENCRENCADA - Moda de Viola, e ESCOIENO NOIVA - Moda de
Viola, com CAIPIRADA BARRETENSE.
JUNHO DE 1930
- BIGODE RASPADO - Moda de Viola, com Mariano e Caçula (da TCCP), e
ESTRAGUEI A SAPAIADA - Anedota -CP.
- A MINHA GARCINHA BRANCA - Toada - Com Antônio Godoy e sua Mulher, e
TOADA DE CANA-VERDE - Com Mariano e Caçula (da TCCP).
- RECORTADO - Caipirada Barretense, e A FESTA DO GENARO - CP
- UMA SESSÃO SOLENE e NAS TOURADAS - Anedotas -Cornélio Pires.
JULHO DE 1930
- O ZEPELIM - Moda de Viola, e O SUBMARINO - Moda de Viola - CP com
João Negrão.
- CABOCLA MALVADA (Declamação) - Campos Negreiros, e A PLATAFORMA DO
PREFEITO - Anedota - Com Arruda.
- MODA DO RIO TIETÊ- Moda de Viola - CP, com João Negrão, e CORAÇÃO
MAGUADO - Moda de Viola - Com A. Godoy e sua Mulher.
- CAMPO FORMOZO - Moda de Viola - CP, com Antônio Godoy e sua Mulher,
e MODA DA MARIQUINHA - Moda de Viola - CP, com João Negrão.
- O LEILÃO DAS MOÇAS - Moda de Viola, e JARDIM FLORIDO - Moda de Viola
- CP, com João Negrão.
AGOSTO DE 1930
- A INCRUZIADA - Canção (de Angelino de Oliveira) - Com Maracajá e Os
Bandeirantes, e BOIADA CUIABANA - Com José de Messias e Os Parceiros.
- AGÚENTA MANECO - Com Maracajá e Os Bandeirantes, e FOLIA DE REIS -
Com Foliões do Zé Messias.
- CANTANDO O ABOIO (de CP e Angelino de Oliveira) - Com Maracajá e Os
Bandeirantes, e TOADA DE MUTIRÃO - Com Zé Messias e Os Parceiros.
- O CABOCLO APANHA e PASSA MORENA - Contra-Dança - Com Zé Messias e Os
Parceiros.
SETEMBRO DE 1930
- O JOGO DO BICHO - Moda de Viola, e ARMINDA - Com Mariano & Caçula.
- O SALIM FOI NO EMBRULHO - Anedota - Com Luizinho, e FUTEBOL DA
BICHARADA - Moda de Viola - Com Mariano & Caçula.
- MULHER TEIMOSA - Com Arruda, e NOITES DE MINHA TERRA - Valsa - Com
José Eugênio Campanha e Seu Quinteto.
- CAIPIRA VELHACO - Anedota-Com Arruda, e O SONHO DE MARIA - Valsa -
José Eugênio e Seu Quinteto.
- O MEU BURRO SAUDOSO - Moda de Viola, e SERÁ OS IMPOSSÍVE - Com
Mariano & Caçula (da TCCP).
OUTUBRO DE 1930
- SERENATA - Choro - Com Canário e Seu Grupo, e QUANDO AS MISSES
DESFILAVAM - Anedotas - Com Luizinho.
- BEATRIZ - Valsa - Com Canário e Seu Grupo, e O SALIM TOREADOR -
Anedota - C/Luizinho
SEM DATA
- GALO SEM CRISTA - Batuquinho do Norte - Com Bico Doce e Sua Gente do
Norte, e COMPARAÇÕES - Anedota -Cornélio Pires.
- QUANDO O ZIDORO VORTÔ e OS DESCONTENTES -Anedotas - Cornélio Pires.
- GAVIÃO DE PENACHO - Embolada, e QUE MOÇA BONITA - Variação de Samba
- Com Bico Doce e Sua Gente do Norte.
- RECULUTANDO - Samba do Norte - Com Bico Doce e Sua Gente do Norte, e
BOM REMÉDIO - Anedota - Cornélio Pires.
- O MEU VIVA EU QUERO DÁ - Moda de Viola, e SE OS REVORTOSOS PERDESSE
- Moda de Viola - Com Mariano& Caçula.
- LEGIONÁRIOS, ALERTA! - Marcha - Com José Eugênio e Seu Grupo, e QUI-PRO-QUÓ - Anedota - Cornélio Pires.
- (NÃO LOCALIZADO)
- TRISTE ABANDONADO - Moda de Viola, e MECÊ DIZ QUE VAI CASÁ - Moda de
Viola - Com Zico Dias e Sorocabinha (da TCCP).
- MODA DA REVOLUÇÃO - Moda de Viola, e BIGODE RASPADO - Moda de Viola
- CP e Mariano & Caçula.
- (NÃO LOCALIZADO)
- VOU ME CASÁ COM CINCO MUIÉ - Moda de Viola, e VANCÊ É UM PANCADÃO -
Moda de Viola - Com a TCCP.

História da Gravação e Estudos da
Discografia de Cornélio Pires
"O diretor da Colúmbia - representante local da Byington & Company - era o
americano Wallace Downey que mais tarde, em 1931, interessado pelo Brasil, seria
o produtor do filme "Coisas Nossas". Ariowaldo Pires, o saudoso Capitão Furtado,
sobrinho de Cornélio, era o intérprete (falava bem o inglês), de Downey Cornélio
pediu ao sobrinho que lhe encaminhasse a Downey .Mas este só tratava da fase
preliminar dos negócios da gravadora. Encaminhou Cornélio ao escritório do Dr
Alberto Jackson Byington Jr, o proprietário da empresa. Propôs a gravação de
anedotas e de músicas caipiras. Contou, o Capitão Furtado ao pesquisador Abel
Cardoso Júnior que registrou no seu livro "Cornélio Pires, O Primeiro Produtor
Independente de discos no Brasil" Fundação Ubaldino do Amaral, Sorocaba, 1986,
que o empresário lhe disse: - Gravarem discos anedotas e violeiros? Isso é mais
uma piada sua".
O escritor e pesquisador J. L. Ferrete no seu livro "Capitão Furtado - Viola
Caipira ou sertaneja"?, tomando o depoimento de Ariowaldo Pires, registrou a
resposta de Byington: - Não há mercado para isso, não interessa". Cornélio
insistiu. "E se eu gravar por conta própria"? Aí Byington Jr tentou opor
dificuldades: "Bem, nesse caso você teria que comprar mil discos. Quero dinheiro
á vista, nada de cheque, e se o pagamento não for feito hoje mesmo, nada feito".
Era uma forma, note-se, de descarte peremptório ou, em outras palavras,
propostas de quem não quer mesmo fazer negócio".
"Cornélio Pires fez com Byington o cálculo de quanto custaria os mil discos e
saiu. Foi á procura de um amigo seu na rua Quinze de Novembro (centro de São
Paulo), um tal de Castro, e pediu-lhe o dinheiro emprestado. Retornou em seguida
á sede da empresa e, entrando na sala de Byington Jr., jogou sobre a mesa deste,
um grande pacote embrulhado em jornal. "O que é isso"?, perguntou-lhe Byington
espantado. "Uai, dinheiro"! Você não queria dinheiro?, respondeu Cornélio.
Byington abriu o pacote e não disfarçou o seu assombro: "Mas aqui tem muito
dinheiro"! "E' que, ao invés de mil discos, eu quero cinco mil" explicou
Cornélio Pires". Meio aturdido, Byington Jr tentou convencê-lo de que cinco mil
era muita coisa, era "uma loucura". Naquele tempo não se faziam prensagens
iniciais em tais quantidades nem para artistas famosos! Cornélio, porém, foi
mais além do espanto em que deixou o dono da gravadora: "Cinco mil de cada,
porque já no primeiro suplemento vou querer cinco discos diferentes e portanto
são 25 mil discos".
Aqui há um engano, que quase todos os pesquisadores têm repetido. No primeiro
suplemento saíram 6 discos diferentes. Em vez de 25 mil, foram lançados 30 mil
discos, em Maio de 1929, segundo fontes concretas, prestadas pelo criterioso
pesquisador o professor Nirez. A confusão se faz e é evidente que se faça,
porque em Outubro de 1929, no segundo suplemento, é que Cornélio lançou 5
discos, com também cinco mil de cada, totalizando dessa forma, os 25 mil discos.
Fez o pagamento, pegou o recibo, e estabeleceram o seguinte contrato: os 30
mil discos, da primeira prensagem, teriam uma Série Especial sua, a "Série
Cornélio Pires" partindo do número 20.000, com o selo vermelho, custariam 2 mil
réis a mais do que os de Byington, e somente Cornélio poderia vendê-los.
Acertadas as bases, Cornélio viajou a Piracicaba e de lá trouxe á Capital (com
despesa paga) a sua "Turma Caipira", para participar das gravações, com três
músicas.
Em 1927, a gravação elétrica chegava ao Brasil, facilitando as gravações. Não
era mais preciso dar aquele berro, que o folclorista Paixão Cortês, tem mostrado
nas suas palestras, das gravações da Casa A Elétrica, de Savério Leonetti (em
1914) em Porto Alegre. Agora (de 1926 em diante), já se podia gravar com voz
normal.
A "Turma Caipira de Cornélio Pires"(em sua 1a. fase) era composta por Arlindo
Santtana, Sebastião Ortiz de Camargo (o Sebastiãozinho), Zico Dias, Ferrinho,
Mariano da Silva, Caçula e Olegário José de Godoy (o Sorocabinha)."
Mas depois de algumas décadas, a pesquisa e análise de seu segundo biógrafo
Macedo Dantas, em "Cornélio Pires Criação e Riso"-(1976), o qual depois de
minuciosamente apurar, chegou a conclusão de que a discografia mais precisa que
obteve por intermédio do Capitão Furtado, foi a do musicólogo e pesquisador de
Fortaleza, diretor do Museu Cearense de Comunicação, Miguel Ângelo Azevedo (Nirez),
uma relação constante de todos os discos, dos quais falam Joffre Martins Veiga,
Alceu Maynard Araújo e Dr. Oswaldo Estanislau do Amaral. Isto é, há divergências
quanto ao número de discos levantados por eles, por exemplo: Joffre, menciona
100 ou 110, mas relaciona apenas 16 discos, já Alceu Maynard Araújo, mencionou
em sua palestra, 108, mas relaciona apenas 48, dizendo que não conseguiu
relacionar mais 6 discos, os quais não conseguiu encontrá-los. Então, certamente
temos 48 discos garantidamente catalogados na Colúmbia. Isto não quer dizer que
Cornélio e sua turma Caipira, não gravou os 108 ou 110 discos já ditos por
Joffre e Alceu. O que ocorre, ou ocorreu quando das pesquisas feitas pelos
nobres estudiosos do assunto, é que já não encontravam na época em que
pesquisavam, ninguém que tivesse todos os discos de Cornélio, bem como, apesar
de todos os esforços feitos por eles, colheram o que foi possível nos catálogos
que ainda encontraram dos discos gravados pela Colúmbia, o que pode, pelo tempo,
não ser a relação definitiva de sua discografia. Uma coisa é certa, Cornélio
gravou apenas para a Colúmbia, para a Odeon, não. Aliás, Macedo Dantas nem
sequer recebeu resposta da carta enviada á Matriz do Rio.
Por isso, em sua obra "Cornélio Pires - Criação e Riso"(1976), Macedo Dantas,
na página 337, nos aconselhou na época, para que fôssemos cautelosos e que
ficássemos por enquanto com os discos encontrados, que era e é um serviço
notável ao Folclore Brasileiro. Ninguém está impedido de investir pesquisas
sobre o assunto. Podem, os que assim desejarem, a partir de hoje.

Os dados acima, referentes aos discos lançados por Cornélio Pires, foram
coletados no livro "Turma Caipira Cornélio Pires", da autoria de Israel Lopes,
estudioso do assunto, editado na comemoração dos 70 anos da música sertaneja, em
1999. O autor é diretor do Departamento de Letras do Centro Cultural de São
Borja (RS) e é ligado à vários movimentos culturais gaúchos.

FILMOGRAFIA DE CORNÉLIO PIRES
Seu Interesse pelo Cinema, como surgiu?
Em 1922, um ano após publicar "Conversas ao Pé do Fogo", Cornélio esteve no
Rio de Janeiro, onde se exibiu em algumas casas de diversões. E, ao
apresentar-se num espetáculo beneficente na Associação Brasileira de Imprensa,
logo após o encerramento, recebeu os cumprimentos do Maestro Eduardo Souto,
santista de nascimento mas que fez carreira no Rio de Janeiro, tornando-se um
dos maiores compositores populares de seu tempo, o qual convidou Cornélio para
que formassem um grupo regional. Cornélio topou, e o grupo estreou no dia da
inauguração do Palácio das Festas, nas festividades comemorativas ao Primeiro
Centenário da Independência.
Encantado com o resultado das cenas que haviam filmadas, e terminados seus
compromissos com o maestro Eduardo Souto, o nosso querido escritor retornou a
São Paulo, onde uniu-se ao cineasta Flamínio de Campos Gatti, e já em 1923,
juntos partiram para as filmagens ao Nordeste do Brasil.
Cornélio produziu então, dois filmes, ou melhor, dois documentários, "BRASIL
PITORESCO" (1923) e "VAMOS PASSEAR" (1934). O documentário "Vamos Passear",
segundo o escritor folclorista Piracicabano, Dr. João Chiarini afirmou em seu
discurso em Tietê, na la. semana "Cornélio Pires" em 1959, trata-se do lº FILME
SONORO feito de maneira INDEPENDENTE, conforme podemos constatar na Revista
Sertaneja, ano II, nº 17, na página 20 da mesma.
Sobre os dois filmes de sua produção, e mais outros três extraídos de suas
obras, os senhores leitores poderão obter maiores informações nas transcrições a
seguir, da página 327, do livro "Cornélio Pires - Criação e Riso", de seu segundo
biógrafo Macedo Dantas.
Filmes feitos por Cornélio Pires
1923 - Brasil Pitoresco
Documentário em colaboração com o cineasta Flamínio de Campos Gatti. Aspectos
de cidades Brasileiras. Joffre dá a data de 1923 e Maynard a de 1922. Foi
realmente feito em 1923. Em sua carta a B. J. Duarte, Joffre diz que a película
foi "rodada em janeiro de 1923, por Flamínio Campos Gatti e pelo próprio
Cornélio Pires, focalizando aspectos de Santos, Rio, Bahia e outros Estados do
Norte e Nordeste". A seu pedido, foi o filme exibido em Tietê, em Julho de 1959,
com geral agrado. Informa, finalmente, que a fita estava (em 1960, data da carta
de Duarte) em poder da família de Cornélio Pires. Já naquela época o grande
idealista e corneliano alertava que o "filme necessitava de alguns retoques,
prejudicado pela ação do tempo". Apesar de minhas pesquisas, não o localizei.
1934 - Vamos Passear
Filme sonoro, produzido após ter feito pequenos documentários (creio que
estes se perderam). Vamos Passear focaliza cenas do folclore paulista e nele
tomaram parte violeiros, canta dores, sertanejos. Segundo Joffre (p.1 08),
"provocou desencontrados comentários". Também não descobri quem o ajudou a
realizar a fita sonora.
Filmes Baseados nas obras de Cornélio Pires
1918 - Curandeiro
Roteiro extraído do conto Passe os Vinte (de Quem Conta um Conto...), filme
rodado por Antônio Campos, com Sebastião Arruda como intérprete. Foi visto por
Zico Pires em Tietê, no antigo Teatro Carlos Gomes. Esta informação foi colhida
em Joffre (p. 108).
1970 - Sertão em Festa
Produzido pela Servicine, baseado na novela Sacrificados (Meu Samburá) e
dirigido por Osvaldo de Oliveira. Os principais artistas foram Marlene Costa,
Nhá Barbina, Francisco Di Franco, Tião Carreiro e Pardinho, Egidio Eccio e
outros. O filme teve grande êxito. Nele tomaram parte catiteiros, violeiros,
etc. A pré-estréia foi em Tietê, em benefício da Granja de Jesus.
1985 - A Marvada Carne
Pelo Cineasta André Klotzel, tendo ele se baseado mais principalmente na obra
"As Estrambóticas Aventuras do Joaquim Bentinho, o Queima Campo" (1924), obra
essa, á qual Cornélio Pires deu continuidade, concluindo e publicando em 1925.
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Glossário Sertanejo
Brasileirismos, archaismos e corruptelas coligidos por Cornélio Pires e
empregados na "Musa Caipira", "Scenas e paisagens de minha terra", "Quem
conta um conto...", e em muitas de suas obras literárias.Foi mantida a
ortografia da época por respeito ao trabalho do autor.
A
Aááb! - Exclamação correspondente a "Ave Maria", "Aáááh!...Maria
Credo".
Abancamos - Sentamo-nos em bancos.
Abancar - Correr fugindo ou em perseguição de alguém.
Abrir-o-pala - Fugir correndo.
Acauan - Ave que se alimenta de reptis. Seu canto prenuncia a
chuva.
Acabritada - Amulatada - Mestiça de branco e preto.
Aceiro - Terreno capinado ao redor da roçada a ser queimada.
Afincar o pé - Caminhar com energia. Correr.
Afiniz - Doce - Alfenim.
Agarrar ou Garrar - Principiar. Segurar. Tomar um caminho -"Garrei
a estrada".
Agregado - Indivíduo que vive parasitariamente em terra alheia.
Agua-de-assucar
- Agua com assucar.
Aguado - Diz-se do cavallo que adoece vendo os outros comer ou
beber tendo elle fome e sede.
Aguia - Finorio. Intelligente. Astuto.
Aiva - Desorientado. Fóra de si. Misterioso. Esquesito. Sensação
indefinivel.
Alentado - Robusto. Forte.
Alimá - Animal cavallar ou muar.
Aluncio - Annuncio.
Amarrano - Cão negaceando a presa. Preando a
perdiz.
A'me! - Exclamativo: "homem"!
Amiudá - Diz-se quando os gallos vão diminuindo o
canto ao amanhecer.
Amó-que - A modos que... Parece-me...
Amóde - Por causa de...
Andasso - Epidemico.
Antónho Conseiêro - Pantomima extrahida da grande
tragedia bahiana em que o governo chacinou sem razão os sertanejos
chefiados pelo caipira Antonio Conselheiro.
Anún - Pássaro preto insectivoro, que acompanha os
animaes no campo. Há tambem o "anún branco".
Anún - ficar de - Nú.
Apalermado - Boquiaberto. Abobarrado.
Aparêio - Isqueiro, pedra de fogo de fuzil.
Apparelho de fogo.
Após-as-aguas - Depois das chuvas. Aguas, tem o
sentido de "chuvas".
Aporrinhar - Cacetear. Amolar. "Ser páo". Vem de
porrete.
Ara. . . se - O'ra. . . se. . . Vale a pena
Araponga ou Guaraponga - Ave cujo canto imita o
retinir do martello na bigorna, entre sons similhantes aos produzidos por
lima, ao se afiarem as grandes serras "traçadeiras". Chamam-lhe porisso o
"Ferreiro" ou "Serrador": "Gúiraponga", do tupy-guarany.
Araribá - Arvore grande.
Arejar - Estupôr no cavallo que apanha golpe de ar
estando suádo.
Arimbá - Vasilha de barro.
Arisca - Mulher facil. Esposa infiel.
Arriba! - Acima! "Arriba o samba"! Sús!
Arrebentado - Fallido. Empobrecido.
Arrendado - (animal) - Descadeirado. Animal de
montaria que, forçado pela redia e espora, deixa o trote natural, para
marcha, transformando-se assim um "trotão" em "marchador". A definição
dada noutros volumes está errada). -Nota do Autor.
Arrotar - Fazer-se valente. Provocar com arrôtos e
escarros. Gabolice.
Arrudado - Zangado. Impulsivo. Bravo
Arma-penada - Duende. Assombramento. Espirito que
paira sem destino.
Arma do padre Aranha - Celebre assombração que
perseguia os tropeiros.
Arvado - Parte em que se encaba a foice.
As-coisa-feito - Feitiçaria. Magia negra. Bruxaria.
Atiçar - Açular. Instigar. Compellir.
Atripeçar - Sentar-se em tripeça.
Atrodia - (istrodia - strudia - trodia - estrodia)
- Noutro dia. Ha poucos dias.
Avacalhar-se
- Desdizer-se. Retratar-se. Abandonar
seus companheiros em politica, sem-vergonhamente, a pretesto de
tranzigencia.
Aviamento - Apetrecho para a caçada. Polvora,
chumbo e espuletas.
Azeite de carro - Oleo grosso de mamona.
Azeitinho - Oleo de ricino, purgativo.
Azoretado - Irritadiço. Nervoso. Zangado.
Azucrinado - A mesma coisa que "Azoretado".
B
Bacaiáu -
(Bacalhau). Instrumento de tortura usado noutros tempos contra escravos.
Era um mixto de relho e chicote, com quatro tiras de couro no extremo, em
logar da tala.
Bacazio - Tiro forte, com grande estampido.
Baderna - Bebedeira acompanhada de desordem.
Bagre - Peixe de couro.
Baguá - Bagoal. Cavallo inteiro. Grande. Volumoso.
Bandeirantes - Desbravadores dos sertões
brasileiros eram, geralmente, paulista de tempera jamais igualada, pois
sem estradas e bussolas, percorreram todo o Brasil á cata de ouro e pedras
preciosas. Levaram os hespanhóes até o Rio da Prata e chegaram a collocar
marcos de posse em pleno centro do Perú. Os bandeirantes demarcaram as
fronteiras da Patria, dilataram a Nação, e fizeram o Brasil.
Muitos delles só se dedicavam á escravisação dos indios.
Bangué - Padiola em desuzo, podendo transportar uma
familia. Tinha quatro cabeçalhos para um animal em cada ponta, sendo
carregada suspensa sobre dois animaes.
Banzé - Desordem. Conflicto. "Rôlo".
Banzativo - Preocupado. Pensativo. Triste.
Bacapary - Deliciosa fructa sylvestre, trepadeira,
menor que a jaboticaba.
Barba-de-bode - Capim (graminea) de terra exgotada.
Marca de terra ruim.
Bardeado
- Transportado.
Barróca - Despenhadeiro. Valle. Grota. Sulco
profundo na terra.
Batuira - Ave ribeirinha, pernalta, a que tambem
chamam "monjolinho" ou "monjoleiro".
Bate-pé - Dansa cabocla. O mesmo que "sapateado",
"cateretê ou "catira".
Batê-bocca - Discussão. Altercação.
Batuque - Dansa de pretos. Formam roda de sessenta
e mais pessoas, que cantam em côro os ultimos versos do "cantador" e ao
som dos tambús, - tubos de madeira com uma pelle numa das extremidades e
que produz sons altos com diversas graduações, - requebram e saltam homens
e mulheres, dando violentas umbigadas uns contra os outros. Usa-se tambem
nessas dansas, o quingengue - semelhante ao tambú, tendo inteiriça a
metade do volume. O compasso é marcado também com palmas. - Hoje raramente
dansa-se o batuque. Confundem-no com o jongo e este com o samba. . .
Batuque é dansa de negros e o samba é dansa de caboclos...
Bão-de-sá - Bem temperada (comida).
Bebudo - beudo - Alcoolisado. Embriagado.
Beicinho - Movimento de pouco caso com os labios.
Distensão do labio inferior, prenunciando chôro e desaponto.
Bentinho - Medalha com imagem benzida pelo padre
romano.
Berne - Verme que se introduz na pelle das aves e
no couro dos animaes.
Bitatá - Fogo fatuo. Do tupy guarany: "Mboytatá" -
mboy:cobra, - tatá: fogo. Diabo. Espirito dos não baptisados.
Birro - nome onomatopaico de um passaro que procura para habitação
casas e igrejas velhas.
Boava - Portuguez, no sentido pejorativo. Do tupy guarany "Amboabaê"
- pessoa estranha.
Bobagem - Tolice.
Bocage Palavriado insultuoso e depravado.
Bocó - Vasilha feita de couro ou crosta do tatú: sem tampo o bocó
está sempre aberto, d'ahi chamarem "bocó" ao "bocca-aberta", palerma ou
bobo, ou "bobó".
Bocó - Pateta.
Bodoque - Arma rustica de pau em arco, com cordas e malha para
arremesso de pedras ou pelote de barro.
Bolantim - Circo de cavallinhos. Artista equestre ou gymnasta.
Bolo - Pancada com a mão, palmatoria ou regua, na palma da mão.
Botá-a-cuié-torta - Intrometter-se onde não é chamado.
Bóto - (a faca) - Metto a faca.
Botá - Pôr. Collocar.
Braba - Bravia - (Sertania) - Inculta, desconhecida.
Branca - Aguardente de canna.
Bragado - Cavallo manchado de branco e zaino.
Brascuiá - Vasculhar.Remexer no fundo do bolso.
Broca - Ferida profunda que só ataca as mãos, não os pés, do
cavallo ou burro.
Bruaca - Grandes bolsas de couro crú, para transporte em lombo de
animal - Duas bruacas formam o cargueiro.
Bruaca - (pejorativo) - Mulher velha, imprestavel.
Bufar - Dizer-se valente.
Bugio - Macaco barbado. Engenhoca para canna; produz sons na moagem
iguaes ao roncar do bugio.
Bugre - Selvicola - Indio do Brasil.
Buquinha - Beijo.
Buré - Sopa do caldo de milho verde.
Burcão - Bulcão - "Cummulus" prenunciadores de chuvas.
Burbuia - Bolhas de ar que sóbem á tona d'água; bolhas de puz. Do
tupy-guarany "bubúi": sobre-nadar.
Buta - (comer) - Ser logrado, enganado. Butia, é um vegetal
medicinal, muito amargo; o estrangeiro, metido a sabichão, ao ver-lhe o
fructo, colhe, elogia-lhe a doçura e. . . mete-lhe os dentes. . . Comeu
Buta. . . a fructa é amarga.
Buxa - Logro, velhacamente preparado num negocio ou
barganha.
C
Cabeça secco - Soldado da policia.
Caboclo - Caipira cor de cuia ou cobre, descendente
dos bugres.
Cabra - (bom, valente, sarado, etc.) - Individuo.
Cabra - Mulato, ou mulata.
Cabrita - Mulata nova.
Cabreúva - Madeira de lei tambem chamada Oleo ou balsamo.
Cabórge - Força mysteriosa. Valentia sobrenatural.
Força occulta proctetora do valente.
Caça - Animaes selvagens.
Caça foice - Vagabundo. Homem inutil.
Cadorna - Pequena perdiz - codorna.
Caguira - Azar. Caiporismo. Medo.
Cahidas - (mulheres). Apaixonadas.
Caieira - Monte de lenha que, logo depois de aceza, toma o nome de
fogueira.
Caiçara - Caboclo ruim, incorreto. Não uzam os caipiras do planalto
a expressão caiçara, como denominação de caipira da beira-mar. No tupy
guarany, "caaiçá" quer dizer "cerca de ramos a que se recolhem os peixes
pescados". "Caí" tambem quer dizer o gesto do macaco tapando o rosto. . .
Gesto commum ás crianças, caipiras. . . Caiçára tambem quer dizer
trincheira, paliçada, arraial.
Caipira - Por mais que rebusque o "etymo" de
"caipira", nada tenho deduzido com firmeza. Caipira seria o aldeão; neste
caso encontramos no tupy guarany "Capiabiguára". Caipirismo é acanhamento,
gesto de occultar o rosto; neste caso, temos a raiz "caí" que quer dizer:
"Gesto do macaco occultando o rosto". "Capipiara", quer dizer o que é do
mato. "Capia", de dentro do mato: faz lembrar o "capiáu mineiro. "Caapi",
- "trabalhar na terra, lavrar a terra" - "Caapiára", lavrador. E o
"caipira" é sempre lavrador. Creio ser este ultimo caso mais acceitavel,
pois, "caipira" quer dizer "roceiro", isto é, lavrador.
Sinonimos de "caipira" conheço apenas os seguintes-"Capiáu",
em Minas; "quejeiro", em Goyaz; "matuto", Estado do Rio e parte de Minas;
"mandy", sul de S. Paulo; guasca ou gaúcho no Rio Grande do Sul; "tabaréo",
Districto Federal e alguns outros pontos do paiz; "caiçara", no litoral de
S. Paulo e em todo o paiz, "sertanejo".
Caipóra ou capóra - Infeliz - Do tupy-guarany: "Caapó"
-mateiro. Pessôa do mato. Duende sertanejo, protector das caças, anda
montado num grande porco selvagem.
Calhambóla - V. canhimbóra.
Caimbra - (doença). Camaras.
Cambuquira - Grelos, brotos de aboboreira.
Campear - Procurar.
Cambetear - Andar tropegamente. Empurrado, correr
sem querer batendo uma perna na outra, quasi cahindo.
Cambaio - Perna torta. Que puxa por uma perna no
andar.
Cambito - Pernil de porco. Peça para apertar
correias e arreios.
Camera - Camara Municipal.
Canelleira - Arvore imponentemente alta.
Canhimbóra ou Canhambóra - Escravo fugido, tornado
selvagem nas matas. Do tupy-guarany - "cañybó": o que foge muito.
Canfrô - Alcanfora.
Candimba - Lebre.
Comatio - Corda de viola.
Capêta - Diabo - Satanaz.
Capoeira - Mata de foice, ou mata nova nascida
depois de derrubada a mata virgem. Do tupy-guarany: "Caa - mata- "poera" -
que foi.
Capoeirão - Capoeira grossa quasi como mata-virgem:
"capoeira de machado".
Capim - Graminea - Do tupy guarany "Caapim".
Carpir - Cortar cerce o pequeno mato. Tupy-guarany,
"Caapi".
Carapina - Tupy-guarany Carpinteiro.
Carona - Peça de couro collocada sob o arreio e
sobre os baixeiros. Gozar sem pagar um divertimento.
Carpa - Capinação.
Capanga - Indivíduo assalariado para guarda de
alguem, e que obedece quando o pagante manda agredir ou matar. Em Minas,
Goyaz e Norte, tambem têm o nome de "jagunço".
Capanga - Pequeno sacco que se traz a tiracollo.
Cardume - (de peixe) - grande quantidade.
Cardósa - Feminino de Cardoso, como Ribeira o é de
Ribeiro.
Carreiro - Trilho feito e seguido pelas caças.
Carreira - Rima obrigatoria nas danças caipiras. Ha
a carreira do "Sagrado" (toda a rima em ado), ha a de S. João, do Itararé,
do Marruá etc.
Carancho Ave de rapina. O maior dos gaviões.
Carreação - Diarrhéa. Desinteria. "Destempero".
Carreador - Caminho improvisado na lavoura para se
tirar em carros o producto da lavoura.
Catingueiro - Variedade de capim. Pequeno veado.
Caugdo ou Cáudo - Cágado.
Cavorteiro - Velhaco.
Caraminguás - Miudezas. Dinheiro miúdo achado no fundo da algibeira
ou da mala. Tupy guarany: "Carameguá" -caixa ou cesto para miudezas.
Catira ou Cateretê - Dansa de caboclos formando duas linhas de seis
ou mais pessoas, dois a dois, frente a frente, com violas. Cantam em dueto
os cantadores seus amores ou os factos principaes do bairro e redondezas,
respondendo o côro, sapateando nos intervaílos sob compassos marcados a
palmas. O som dos pés no chão e as palmas formam variada musica.
Casaca de ferro - Empregados encasacados de circos de cavallinhos.
Serventes encasacados.
Cassununga - Pequena e bravíssima vespa.
Catirina - Prostituta.
Cavado - (amigo, dinheiro). Arranjado. Conquistado.
Cerne - Amago da madeira. Pau que dentro d'agua não apodrece. Estar
no cerne (homem) resistir o tempo; não envelhecer.
Cêrto de bocca - Cavallo adestrado e docil ás redeas.
Cerrado ou cerradão - Mata rachitica e escassa em
terras que absolutamente nada produzem; nem capim de bôa qualidade.
Cerigote - Arreio semelhante ao lombilho.
Ceriema - Ave pernalta dos campos.
Cerelepe - Espécie de esquilo. Canxinguelê, do
Norte.
Chavié ou xavi - Desinchabido - Desapontado.
Chan-chan - Ave trepadora que com seu canto avisa a
approximação de alguem, avisando o caipira. É nome onomatopaico.
"Cão-cão", do Norte e "Can-can", dos bugres.
Chabó - Andorinha grande de cabeça chata.
Taperá-guassú.
Chapadão - Crapada - Rechã - Planalto. Araxá.
Charrôa - Remate de uma obra de couro trançado.
Chimbica - Jogo de cartas tambem chamado manilha.
Chimburé - Peixe de escamas, d'agua doce.
Chico-lerê - Passaro patéta. . . Paulo-pires;
jucurêrê.
Chichica - Escremento. Sujidade.
Chiqueirador - Grosso relho com cabo de madeira em
forma de chicote.
Chimbéva (homem). Nariz chato, do tupy guarany:
"Ti": nariz; "péva": chato.
Chilenas - Esporas grandes.
Chilipe - Carcere.
Chilique - Desmaio.
Choren - Cão sarnento. Gafo.
Chuva - Bebado - Alcoolico.
Chuãã - Cesto ponteagudo para transporte de fructas.
É tupy guarany.
Chucro - Bebado - Cavallo não domado ou amansado.
Chupim - Passaro preto menor que o vira-bosta. Come
os óvos do tico-tico e põe os seus no lugar, criando o tico-tico os filhos
do chupim, apesar da enorme differença. O tico- tico é rajado e o chupim é
preto.
Chupim - Marido de professora quando sustentado por
ella.
Chumbeado - Bebado.
Cobre - Dinheiro mesmo em papel moeda.
Cócre - Pancada com os "nós dos dedos" na cabeça,
tendo a mão fechada.
Cócre de - Cocoras. Sentado sobre os proprios
calcanhares
Cogote - Toutiço, cangote.
Coivara - Galhos e ramos que resistiram o fogo das queimadas,
ficando apenas com as cascas queimadas ou chamuscadas. Geralmente os
autores têm confundido "coivara" com "encoivarar", que quer dizer reunir
as "coivaras" para queimar, afim de "destrancar" a roça.
Colondria - de ladrão - Quadrilha de ladrões.
Como que - Extremamente.
Comeu-chão - Venceu grande distancia, em marcha.
Consoante - De accordo. Conforme.
Convencido - Soberbo. Emproado. Vaidoso.
Coró - Verme. Bicho de pau pôdre.
Coróte - Ancorote. Vaso de madeira em fórma de pequeno barril
portatil a tiracolo.
Corymbatá Peixe de escama, papa-terra.
Corpo. - Cadaver.
Corruira - Passarinho caseiro insectivoro. Carriça - Cambaxirra, do
Norte. Ha a "corruira d'agua" que faz seus ninhos labyrinthicos de
milhares de pausinhos, impenetrável para as cobras e mais inimigos.
Criozena - Petroleo, Kerozene.
Cren-dós-padre - Creio em Deus, Pae.
Crioulinhos (Em desuzo) - Pretinhos, filhos de escravos.
Cria - (estar com) - Filho novo de animal cavallar, caprino, ovino
ou bovino.
Curupira - (No tupy guarany não ha r forte). Duende selvagem. do
Norte, pouco conhecida é a sua lenda em S. Paulo.
Cuzarruim ou Coiza-ruim - Satanaz - Diabo.
Curió - Passaro canoro dos pantanaes.
Cuja - A metade de um porungo ou cabaça.
Cuitélo - Beija-flor. Colibry.
Cuipeva - Colhér.
Cuipé - Pá de madeira para o forno.
Cuéra - Decidido. Valente. Bom. No tupy-guarany quer dizer
convalescente.
Cuiára - Habil no jogo. Velhaco. Espertalhão. Rato silvestre.
Cumieira - Parte mais elevada da casa.
Currução - Molestia nervosa. Deita-se a victima,
sem dores, e não ha o que a faça deixar o leito. Come se lhe dão comida,
sinão, pouco se incomoda.Há moléstia semelhante que na França chamam "corru".
Cumerações - Calculos.
Curtindo - Suportando, triste, uma paixão ou ciume.
Curiango - Ave nocturna.
Cururú - Dansa em que tomam parte os poetas
sertanejos, formando roda e cantando cada um por sua vez, atirando os seus
desafios mutuos. Os instrumentos usados são: a "puyta", (Instrumento
africano trazido pelos escravos), rouquenha, em forma de um pequeno barril
tendo o fundo de couro de cabra com uma varinha ao centro; a trepidação
produzida com um panno molhado empalmado pelo executante, produz o som, um
verdadeiro ronco; o "réqueréque" que é um gommo de bambú, de meio metro,
dentado, em que o tocador passa compassadamente uma palheta do mesmo
vegetal, secco; o "pandeiro", os "adufes", e a celebre "viola". Os "cururueiros"
cantam sem amostras de cansaço, desde o anoitecer até o amanhecer.
É uma dansa mixta do africano e do bugre.
D
Dante
- Antigamente. N'outros tempos.
Dar-volta - Exterminar. Acabar. Matar.
Debruços - Em decubito dorsal.
Decumê - Comida aos porcos. Comida.
Decuada - Extracto da cinza para aproveitamento da
potassa.
De-já-hoje-já-hoje
- Ainda pouco. Agora pouco. A
poucos momentos.
De-mão - Auxilio gratuito no serviço.
Desgranhado - Desgraçado. "Maldito"!
Desguaritado - Extraviado. Desorientado. Sem
guarida.
Despique - Acinte. Disputa. Represalia. Desafio (de
viola) -Vingança.
Desbronque - Grande desgraça. Mortandade em
tiroteio. Depindurar - Pendurar.
Depindura - Na imminencia de uma queda ou de
empobrecimento.
Déstão - Dez tostões.
Destrocido - Agil. Desembaraçado. Direito.
Descanhotar - Desnocar - Destroncar. Desengonçar.
Desarticular.
Diá...
- A crendice faz com que o caipira não
pronuncie ou nunca complete a palavra diabo. Ou diz: "Diá - Dianho
Tinhoso - Capeta - Malino - Bicho - Pé de pato -
Bóde preto - Tentação - Cuizarruim - Satanais - Cifé", etc.
Diagonal - Tecido de algodão, preto, em linhas
diagonaes.
Dór - Dó.
Dourado - Peixe de escamas, d'agua doce - É o
Piraju dos indios - "pira" peixe - "jú" (ba) amarello.
Douradilho - Cavallo meio dourado.
Duas e meia bôa - Sempre que o caipira se refira a
distancia, dirá legua quando em numero inteiro; havendo o quebrado de meia
legua, não pronuncia elle a palavra legua; dirá: 2 1/2, "5 1/2 puxada" -
"3 1/2 bôa", etc.
Dunga - Corresponde ao "Dégas!" Quer dizer, com
emphase, "cá eu!" "Quem venceu? O Dégas! Sou mesmo um "Dunga!".
E
Eá! - Exclamação uzada pelas mulheres, quando muito
admiram. Montoya registra no seu livro: "Lingua Guarany" essa exclamação
só uzada pelas mulheres.
Eito (de tempo) - Extensão. Pedaço. Parte da lavoura entregue ao
capinador.
É mão - Occasiáo (de se ir embora). "É mão de
trabaiá".
Embira - Resistente fibra da madeira chamada
jangada.
Embira - (Estar na) Preso. Atado. Coberto de dividas.
Encamboiado - Ligado dois a dois. Encomboiados.
Encrenca - Embrulho. Desordem. Atrapalhada. Pendencia.
Ençampar - Enganar. "Çampa", quer dizer mentira.
Encambitar (atraz delle) - Correr em perseguição de alguem.
Enfiar a agua no espeto - Vadiar.
Engrovinhada - Paralitica. Engrossamento de articulações. Mirrada.
Entojado - Cheio de si. Vaidoso. Emproado.
E... puca - Exclamação de gabolice.
Erpe - Expressão de gabóla - Venci! ê cabra erpe na
lucta!"
Escórva - Exercicio. Experiencia de forças dos
gallos de briga.
Escorvar - (A espingarda). Fazer explodir a escórva
para enxugar o "ouvido" da arma. Exercitar-se para experimentar as forças.
Escopa - Jogo de cartas introduzido pelo italiano,
no sul do Brasil.
Escorar - (um homem). Enfrentar o inimigo,
fazendo-o parar.
Escóra - Pé direito. Apoio para que uma parede ou
objecto não caia.
Esculpido - Muito parecido.
Espera - O mesmo que "ésse". Logar onde se espera a
caça. Pau em que se engancha o cabéçalbo de carro.
Espigão - Planalto.
Espigado - Rapaz de corpo direito. Desenvolto.
Esparrela - Armadilha para passaros composta de
lacinhos de cedenho sobre uma tabua.
Esquentado - Impulsivo.
Esquesito - Fóra do natural. Não commum.
Esquisitice - Sensação extranha. Excentricidade.
Ésse - Travessa no boccal do punhal ou faca, com a
fornia da letra S.
Essa ua - Expressão muito uzada: "Este um" - "aquelle
um", em lugar de este ou aquelle.
Estaqueô - Parou bruscamente.
Estanhados (olhos) - Fixos.
Estirão - Trecho de rio, em recta.
Estaca - Pau fincado na parede á guiza de cabide.
Pau fincado na lavoura para marco de lugar em que tem de ser plantado o
café ou a vinha.
Estiada - Paragem momentanea da chuva no tempo das
aguas, prosseguindo logo a chuva.
Estranja - Estrangeiro.
Estaqueá - Parar bruscamente. Cahir morto.
Estrupicio - Grande quantidade. Asnice.
Esturdio - Esquisito. Fóra do commum.
Esturdinario - Extraordinario.
E-vê - Parece-me. Parecido. Similhante.
Envidado - Enganado. "Não sou eu; o sr. se
envidou".
F
Facho - Vegetaes seccos facilmente inflammaveis,
nas queimadas.
Famia - Filho ou filha.
Far-má - Não faz mal. Deixam de pronunciar o não.
Fazenda - Grande propriedade agricola.
Fazendeiro - O dono da "fazenda".
Festa do Divino - a festa em honra do Espirito
Santo, que se reveste de grande brilho, na cidade de Tietê. Os caboclos
têm como obrigação cumprir a promessa de seus antepassados, que desciam em
numero de sessenta ou mais, nos grandes batelões, pelo rio Tietê, e subiam
esmolando entre o povo ribeirinho, durante vinte e mais dias. As casas, na
passagem das canôas, são enfeitadas com palmas e arbustos, sendo
offerecidas lautas mesas aos canoeiros e ao povo do bairro, que afflue
nessas occasiões. Onde pousa o Divino e toda a comitiva, organisam-se
interessantissimas diversões, reunindo-se no sitio mais de mil pessôas.
Será esta festa uma reminiscencia da partida dos
bandeirantes?
Feiticeiro - Mago. Bruxo.
Fiapico - Pequeníssima quantidade.
Fôrgo - Folego.
Forgá - Dansar o batuque ou o samba.
Fôrra - Liberta. De alforria.
Fruita - Jaboticaba. Para o caipira só a jaboticaba
silvestre é fructa.
Fruiteira - Jaboticabeira.
Frande - Facão.
Fula - Mulato. Zangado.
Fuá - Assustadiço. Desconfiado.
G
Gadeiúda - Cabelluda. Guedelhuda. Cabellos em
desordem.
Gabiróba - Especie de pitanga. Fructinha tambem
chamada "Guabiroba".
Gafeira - Doença que derruba o pello dos animaes.
Garapa - Caldo de canna de assucar.
Garrar - Tomar (um caminho). Começar (a pensar).
Garraio - Novilho enfêzado e rachitico.
Garupa - A anca do animal arreado.
Gateado - Cavallo assignalado de branco e
amarelíado.
Gavião - Ave de rapina. A parte volteada interna da
foice.
Gaúcho - Vivedor. Parasita. Filante. O caipira
paulista chama o rio-grandense do sul: sulista; paranaense: paranista; a
todo o nortista, baiano; não fazendo referencias aos catharinenses, que
são raros nos outros Estados.
Geringonça - Qualquer machinismo complicado.
Geribita - Pinga. Aguardente.
Giráo - Tablado alto para deposito de algodão e
cereaes.
Górpe - Gole grande. Trago.
Golpeão - Idem. Serra grande, braçal.
Gróta - Valle. Furna. Despenhadeiro.
Guaiavada - Doce de goiabas. Pantomima sobre a vida
em Campos, terra do assucar, cognominada "Terra da goiabada".
Guaiava - Goiaba. Fructa silvestre brasileira.
Guapé - Planta aquatica trazida do Amazonas para o
Tietê pelo grande brasileiro, mais digno que qualquer outro de uma
estatua, o general Couto de Magalháes, o maior dos sertanistas
brasileiros, um dos primeiros a descrever nossos sertões, registando
lendas e brasileirismos. "Aguapé", no tupy-guarany, quer dizer "Aguá" -
redondo, "pé" -chato. Formato do vegetal de folhas chatas. A raiz do "Guapé"
e igual a uma cabelleira, não vem, pois, fóra de proposito outro "etymo":
"Agua" - cabellos; "pé" -chato. Chato e cabelludo.
Guarapa - Agua com assucar preto ou escuro.
Guariróva - Palmito amargo. Do tupy-guarany. "Iróba"
-amargo.
Guaratan - Madeira propria para postes e cercados.
Guampa - Vazo de chifre em que o viajante toma agua.
Guampudo - Cornu do. Gran p...
Guanhacy - Vespas que fazem casas crespas de barro, tubulares.
Guainxuma - Vegetal. Aramina propria para
vassouras.
Guasca - Corrêa do relho. Açoite. Camponez riograndense do sul.
Guascadas ou guascaços - Relhadas.
Guaraiuva - Madeira propria para lenha.
I
Içá - Tanajura. Formiga saúva no tempo da
reprodução da especie. No tupy-guarany quer dizer "formiga que se come".
Ichú - Casa de vespas cassununga, marimbondos e outras.
Impalamado - Pallido. Amarellado pela doença.
Incartar - Juntar-se um cão a outro em perseguição da caça.
Incarangada - Entrevada pelo rheumatismo. Paralitica.
Indaguassú - Andaassú - Arvore grande que produz castanhas proprias
para purgante de cavallo.
Inficionado - Infeliz. Infeccionado.
Ingaeiro ou ingazeiro - Arvore de beira de rio que produz o "ingá"
Ingá - Fructa, em bainha, do ingazeiro.
Inguiçá - Açular. Estimular. Influir. Insinuar.
Inferno - Sorvedouro onde cae a agua depois de mover uma roda ou
monjollo.
Inorar - Criticar. Observar censurando o trajar da
pessoa.
In-riba - Em cima.
Inquizila - Irrita. Dá quizilha.
Ingerizar - Irritar. De ogeriza.
Intojado - Cheio de si.
Invernada - Campo para engorda de animaes.
Iissui - (corpo) entorpecido. Perna "iissui" - perna dormente.
Tupy-guarany.
Isqueiro - Tubo de metal, bambú ou taquara em que se colloca a
isca, algodão queimado, para, ferindo a pedra de fogo, arranjar com que
accender o cigarro.
J
Jacaré - Arvore de casca serriforme, similhante á "serra" do
jacaré, animal.
Jacú - Ave gallinacea selvagem.
Jararaca - Variedade de cobra. Mulher velha
enfurecida.
Jaguapéva - Cão chato. Do tupy-guarany - "Jaguá" -
cão; "péba" - chato.
Jaguané - Typo de boi. Do tupy-guarany - yaguá - "onça", "tigre" -
"né" - certo - "certo é um tigre!" Tambem quer dizer ladrido de cães.
Jaguatirica - Gato do mato. Onça pequena, do
tupy-guarany.
Jatahy - Variedade de abelha silvestre. Arvore
também chamada játobá.
Javevó - Meio inchado. Encafifado. Desapontado com
cara de tolo.
Javevó - Farinha de milho, crespa, bijuenta e
grossa.
Jiquitivá ou Jequetibá - A mais frondosa e alta das
nossas arvores. O gigante da mata.
Jerivá - Palmeira fina e altissima.
Juquiá - Casinha labyrinthica para caça de aves que entram e não
mais encontram a sahida. É tupy-guarany.
Juruviá - Desapontadissimo
Jurupóca - Peixe de couro. Tupy-guarany - "juruboia"
-Bocca mediana.
Judiação - Mao tratamento desnecessario.
L
Lagarto - Reptil.
Lambedô - Adulador.
Lambancero - Arreliento. Embrulhão.
Lambuja - Vantagem. Lambugem.
Lameu - Bartholomeu.
Lambary - Pequeno peixe de escama, d'agua doce,
sendo da mesma familia o "tambiú", "piquirantan", "piquira" e "guarú-guaru"'.
Lapiana - Facão. Fabricada na Lapa?
Lavano-cachorro - (sem sabão). Vadiando.
Lavage - Lavagem de fressuras de porco, no rio,
afim de atrair peixes.
Lazão - (cavallo). Alazão.
Levante - Descoberta do veado pelo cão que o faz
saltar e o persegue com latidos especiaes que atraem outros cães.
Ligá - Peça de couro crú com que cobrem os
cargueiros.
Liq |